Jota Oliveira
De modo geral, as geadas do fim da semana passada e da madrugada de segunda-feira não causaram impacto na economia cafeeira, e a seca está preocupando mais produtores e técnicos. O engenheiro-agrônomo Rafael Figueiredo, da Emater-Regional de Londrina, lembra que se está na véspera da principal florada do café, que ocorrerá no começo de setembro. Os botões florais, lembra Figueiredo, já estão se desenvolvendo. Caso a seca se prolongue, será danosa para a formação das flores.
Ainda não se fala em volume de perdas que as geadas poderiam ter provocado, mas o chefe do Fundo Nacional de Defesa da Cafeicultura (Funcafé), engenheiro-agrônomo José Brás Matiello, previra nesta semana que as geadas poderão diminuir em 5 milhões de sacas a safra a ser colhida no ano 2000. A redução será maior em Minas Gerais, onde a falta de chuva se estende há mais tempo.
No Paraná, confirma o agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, o café vem sendo prejudicado pela estiagem, mais do que pelas fracas geadas de domingo e segunda-feira, no Norte. Nas regiões Norte de Londrina, Cornélio Procópio, e Norte Pioneiro, o resfriamento praticamente não causou danos nos cafeeiros.; apenas uma queima do primeiro e segundo par de folhas do ponteiro, o que não afeta o crescimento das plantas, mas em outras regiões foram registradas geadas de capote e, em alguns casos, pode ter havido geada de canela. Os efeitos estão sendo analisados.
AdensadoO coordenador do programa de café adensado do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), pesquisador Armando Androciolli, informou que na região de Ivaiporã os cafeeiros do município de Grandes Rios foram os mais afetados, porque sofreram geada de capote, principalmente nas lavouras voltadas para face sul e baixadas. Nas lavouras bem localizadas, praticamente não houve problema, diz Androciolli. Foi registrada geada de capote no Vale do Ivaí e região de Campo Mourão, com danos maiores do que na região de Londrina, e em toda a área do espigão cafeeiro que atravessa o Norte do Estado entre o Norte Pioneiro e o Noroeste de Paranavaí. Em Iporã, no Noroeste sediado por Umuarama, também ‘‘deu uma sapecada’’ nas plantas.
ProteçãoAndrociolli observa que muitos produtores protegeram o café novo com chegamento de terra no tronco, mas alguns não protegeram ‘‘e a impressão é que pode ter dado geada de canela’’. Se ocorreu isso, o efeito será percebido somente dentro de três meses, quando começará a brotação. ‘‘Só assim poderemos falar com certeza em danos e perspectiva de produção’’, diz Androciolli. Segundo ele, ainda é cedo para para fazer uma avaliação, e não existe ainda nenhum dado oficial.
O pesquisador informa que o Paraná tem 30 mil cafeeiros plantados no sistema adensado e que 12 mil deles estão produzindo. A área total de café do Estado é, nesta safra, de 154.990 ha.
ProdutorAntônio Del Monico é produtor de café em São Luís, distrito na zona sul de Londrina. Ele tem 120 mil pés de café adensado, dos quais 60 mil produziram nesta safra. Colheu 30 sacas beneficiadas por hectare. Sua lavoura, explica, é plantada no espaçamento de 1,80 x 1 metro, com duas mudas por cova.
Del Monico herdou do pai o gosto pela cafeicultura e a experiência na agricultura. Café faz parte da vida do produtor: ‘‘A geada de ontem (segunda-feira) apenas sapecou o cafezal. Se gear mais forte e destruir a lavoura, começo tudo de novo’’), afirma.
Capote e canelaSão manifestações das geadas no cafezal. A geada de capote, como teria ocorrido em alguns lugares do Vale do Ivaí e em Campo Mourão, queima as folhas de todo o cafeeiro. A de canela é mais grave: ela é causada pelo vento frio e queima a casca dos cafeeiros, impedindo a circulação da seiva, e em consequência, a alimentação da planta, que pode até morrer, se atingir toda a circunferência da casca.

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