Falta de chuva afeta todos os estágios de planta

Boa parte do milho que está nas lavouras paranaenses está na fase de desenvolvimento vegetativo (58%), contra 34% na floração e 7% na frutificação (números do Deral do dia 23 de abril, portanto, deve estar mais adiantado). De qualquer forma, seja um milho mais precoce ou não, o pesquisador da área de melhoramento genético da Embrapa Milho e Sorgo, Walter Fernandes Meirelles, que fica alocado na Embrapa Soja em Londrina, decreta: a quebra vai ser grande, não importa o estágio que a cultura esteja.
De olho nas lavouras na região de Londrina, Meirelles relata que todo o ciclo da planta precisa de água, mesmo para aquelas plantas novas, que estão abaixo da altura do joelho. "Na fase vegetativa o milho também está sentindo a falta de água. As folhas estão enrolando no período da manhã, com um estresse muito forte, o que também determina a queda na produtividade, ou seja, isso não acontece apenas no enchimento de grãos. A planta tem uma programação, em determinada fase ela programa o comprimento da espiga, outra o número de fileiras, o peso total do grão enchido. Se falta água na fase vegetativa, também ocasiona perdas."
Já na fase de enchimento de grãos como já estão algumas cultivares mais precoces o pendão está praticamente seco. "Quando falta água, o cabelo (da espiga) que normalmente sairia bonito, viçoso, é o que está mais comprometido, vai embora rápido. Ele é que determina o número de grãos da espiga e por isso afeta a produtividade. O cabelo que sai seca mais rapidamente do que se tivesse normal a umidade do solo e do ar. A primeira leva de cabelos é que determina o enchimento de grãos na parte mais baixa da espiga, perto do pedúnculo. O cabelo que determina os grãos da ponta da espiga sai no final."

O pesquisador comenta que a chuva estimada para os próximos dias, de poucos milímetros, "refresca, ajuda a lavoura", mas não resolve, porque é necessário um volume de água muito maior. "Teremos uma quebra grande, porque não há previsão de chuva em volume suficiente. Não há uma data para amenizar esta situação."
Uma alternativa para atenuar o impacto da seca é o investimento em formação de palhada, fazendo o consórcio milho com a braquiária. "Assim é possível segurar a umidade do solo, já que o sol não incide diretamente. Além disso, a palhada auxilia no acumulo de matéria orgânica, reciclagem de nutrientes, diminui o banco de sementes de ervas daninhas e reduz o risco de erosão", complementa Meirelles.(V.L.)





