Falta crédito para máquinas
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sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O mercado de máquinas agrícolas está com suas vendas paralisadas há 60 dias, desde quando se acentuou a escassez de crédito de custeio e também do Moderfrota - Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas. Diante dessa situação, as concessionárias diminuíram suas encomendas para as fábricas em torno de 60%.
Nos últimos dois anos, em que havia recursos para o crédito e para o Moderfrota, a renovação de máquinas foi parcial. Ocorreu mais entre os médios e grandes produtores que investiram na compra de tratores, plantadeiras e colheitadeiras. Os pequenos tiveram a opção de comprar máquinas usadas, disse Flávio Turra, assessor da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
A superintendência do Banco do Brasil no Paraná contabiliza uma queda de 42,4% nas operações do Moderfrota este ano. Na safra 2002/2003 foram feitos 3.184 contratos de financiamentos no valor de R$ 167,5 milhões. Na safra 2003/04 foram feitos 1.833 contratos no total de R$ 110 milhões.
O gerente de vendas Fernando Ribeiro, da Tratornew, de Ponta Grossa, aposta na reversão do quadro a partir de 2005, quando deve cair o custo dos insumos, fato que deverá coincidir com melhor aceitação do preço das commodities por parte do produtor. Segundo Ribeiro, o produtor não está aceitando o que ele considera de retorno do preço da soja e paralisou investimentos.
De acordo com Ribeiro, o preço da soja tradicionalmente girou em torno de US$ 11 ou US$ 12 a saca. ''O produtor acostumou a ganhar bem mais do que isso nos últimos três anos e demora para assimilar a acomodação do mercado'', afirmou.
Enquanto isso não acontece a revenda aposta nos serviços de revisão e de manutenção das máquinas, trabalho que deverá se intensificar após o plantio da safra de verão. Segundo ele, o agricultor que já decidiu que não vai trocar suas máquinas deverá fazer a manutenção para deixar os equipamentos em ordem antes de janeiro, quando inicia a colheita.
Como alternativa à perda de clientes Ribeiro acredita que os fabricantes devem direcionar a produção para atender o pequeno agricultor. Esse tipo de produtor pode investir num trator de porte médio que custa cerca de R$ 80. Para Ribeiro, na região dos Campos Gerais, o pequeno produtor que diversifica a produção de soja, trigo e milho, com algo mais rentável como o fumo, terá renda para investir a longo prazo.
Turra, da Ocepar, concorda que no curto prazo será difícil para as empresas recuperarem o pico de vendas de máquinas registrado em 2002. Naquela época, por conta da boa remuneração da safra e a disponibilidade dos recursos do Moderfrota, o produtor aproveitou para renovar sua frota. Este ano, no entanto, o ritmo de compras caiu e as vendas atuais estão mais vinculadas a compromissos anteriores do que a novos investimentos, admitiu Turra.
A expectativa para o setor não é animadora para o próximo ano. Segundo Turra, a renda da agricultura começou a cair de forma mais acentuada a partir do segundo semestre deste ano e o agricultor perdeu poder aquisitivo para compra de máquinas modernas, com preços proibitivos para um setor que está com a rentabilidade em baixa.
Para o diretor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Mário Plefka, ''de repente tudo caiu para o fundo do poço e ninguém sabe o que vai acontecer''. Ao contrário dos anos anteriores, o produtor está sem rentabilidade, preço dos insumos em alta e câmbio depreciado. Segundo Plefka o pequeno produtor conseguiu comprar máquinas porque se capitalizou e pagou o investimento. Os pequenos quase não usufruiram dos recursos do Moderfrota em função das exigências feitas pelos bancos.


