Vânia Casado
Já estão sendo contabilizadas quebras de produção no feijão das águas, café e milho. Os plantios de soja, milho e algodão estão paralisados por falta de umidade no solo. Produtores de algodão já estão procurando por novas sementes para tentar o replantio da cultura.
A situação é preocupante porque, em algumas regiões, está há mais de 20 dias sem chover. E quando chove, o volume não é suficiente e não atinge todas as localidades, disse a engenheira-agrônoma da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Vera Zardo. Junto com a escassez de chuvas, as altas temperaturas agravam o quadro de estiagem nas regiões Norte, Noroeste, Oeste e Sudoeste do Estado. A situação está melhor nas regiões de Irati, Ponta Grossa e Curitiba, onde as chuvas têm sido frequentes.
FeijãoO último levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral) aponta quebra de 11% nas lavouras de feijão das águas. Já foram perdidos 22.000 hectares de área plantada nessa safra, em função do clima. Primeiro, a cultura foi afetada pelas geadas, ainda no início do desenvolvimento vegetativo; depois a falta de chuvas e as baixas temperaturas à noite prejudicaram mais o desenvolvimento das plantas. O Deral calcula que 50.000 toneladas de feijão já foram perdidos, o que corresponde a um prejuízo de R$27 milhões aos produtores. Com a quebra, a previsão de produção é de 411.000 toneladas de feijão.
As maiores perdas de feijão ocorreram em Francisco Beltrão, com 30% de quebra; em Ponta Grossa (17%), Campo Mourão (17%), Apucarana (21%), Guarapuava (10%) e em Pato Branco (15%). O feijão que está plantado, numa área de 443.000 hectares não está com bom desenvolvimento. As plantas estão em fase de floração e frutificação, período que precisam de água urgente para evitar novas quebras de produção e produtividade.
Outras culturasO Deral reavaliou a área plantada com milho na safra 99-2000 e constatou calculou uma redução superior a 0,5% nas intenções de plantio. O crescimento de 6% na área plantada, previsto inicialmente, foi revisto para 3%, e no último levantamento fez-se nova estimativa. As intenções de plantio apontam para um crescimento de apenas 2,5% em relação ao ano passado, devendo ocupar 1.569.000 hectares. No ano passado, foram ocupados 1.530.000 hectares. Muitos produtores tecnificados desistiram de plantar o milho e partiram para o plantio de soja. Cerca de 93% da área já estão plantados e o restante está parado devido à estiagem.
A produção estimada de milho é de 6 milhões de toneladas, mas o Deral já trabalha com a possibilidade de quebra e mais recuos na área plantada. Na região Oeste do Estado, que contribui com 11% na produção estadual, a técnica Vera Zardo calcula que já existe uma perda de 10% a 15% na produção local. Ela lembrou que os técnicos de campo continuam reavaliando a área de milho e não descarta novas quebras de safra. Há indicativos de quebra no Oeste, Norte, Sudoeste e Centro-Oeste. A situação tende a piorar, já que em algumas regiões as lavouras começam a entrar na fase reprodutiva e estão enfrentando o problema de alta ocorrência de pragas como lagartas e percevejos.
Com a redução na área plantada de milho, a área de soja deverá ser 1,52% maior, se for concluído o plantio. A previsão é que a cultura ocupe 2.812.000 hectares, dos quais 82% já foram plantados. A preocupação é com a perda da semente em solo seco. O plantio tem sido feito com pouca umidade, necessitando de chuvas urgentes, para as sementes não apodrecerem. Na soja, a situação com a falta de chuvas só não está pior porque 80% da área são plantados com a técnica do plantio direto, que evita a evaporação acentuada da umidade do solo e proporciona mais resistência às plantas. A previsão de produção está entre 7,2 e 7,9 milhões de toneladas. Vera Zardo alertou para a preocupação com a redução na produtividade, porque a soja vem sendo alvo de ataque de pragas, entre elas a lagarta.
O plantio de algodão também está paralisado. O sol forte e altas temperaturas estão prejudicando as lavouras já plantadas. O prazo para o plantio já expirou e o Deral acredita que poderá ocorrer um recuo na área plantada. Até agora 83% da área foram semeados e o plantio está mais atrasado na região Noroeste. O último levantamento aponta para uma área ocupada de 53.500 hectares. Em algumas regiões os produtores não conseguiram plantar até agora, devendo passar para a soja, se não chover nos próximos dias.

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