Falta carne no mercado
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sexta-feira, 20 de março de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A baixa oferta de animais tem exigido dos produtores de carne bovina o investimento cada vez maior em novas tecnologias, com o objetivo de elevar os índices de produtividade. Nos últimos anos, segundo levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a produção brasileira de carne tem crescido em torno de 2% ao ano, enquanto que o consumo tem aumentado em 3,6% na mesma base de comparação. Para equilibrar essa conta, os pecuaristas estão apostando nas ferramentas disponíveis no mercado para melhorar o desempenho da pecuária de corte no Brasil, como melhoramento genético e qualidade de pastagem.
O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), Alexandre Turquino, afirma que investir na qualidade genética dos animais e também nas pastagens são ações que proporcionam bom aumento de produtividade na pecuária, sem que haja a necessidade de expansão de área. "A primeira coisa em que o pecuarista deve investir é em genética, com a adoção da inseminação e utilização de boas matrizes", recomenda o dirigente.
O segundo passo, observa Turquino, é cuidar da pastagem. "Para ter uma boa qualidade no pasto é recomendado fazer consórcio da atividade com a agricultura", exemplifica o presidente da ANPBC. No Paraná, avalia ele, além da baixa oferta de animais, o alto valor das terras tem pressionado os pecuaristas que querem continuar na atividade a investir em tecnologia para melhorar o desempenho do rebanho. "Sem adotar medidas que levem a um aumento de produção, permanecer na pecuária fica praticamente inviável", observa Turquino.
Ele aponta que expandir a área de produção de carne no Paraná é difícil porque plantar grãos é financeiramente mais vantajoso devido aos altos valores das commodities. "Mesmo com o valor da arroba do boi a R$ 145, a soja ainda é mais competitiva se comparada à pecuária", aponta Turquino. Por isso, o presidente da ANPBC, que também é pecuarista, afirma que uma boa genética e a adoção do sistema de integração lavoura com pecuária, é a melhor forma de obter retorno com a produção de carne em áreas menores.
Turquino destaca ainda que a pecuária paranaense é uma das mais modernas do País exatamente porque adota sistema de integração, o que ajuda a elevar a qualidade das pastagens. "O futuro da pecuária é o que fazemos hoje, investindo em genética e em uma boa alimentação."
Mercado
O mercado para o produtor tem se mostrado aquecido, principalmente pela valorização da arroba do boi gordo. No Paraná, por exemplo, o preço da arroba fechou fevereiro em R$ 138,32, ante R$ 113,12 em fevereiro de 2014, segundo valores do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Alex Lopes, analista de mercado da Scot Consultoria, avalia que o preço da arroba do boi tende a continuar em patamares elevados, mesmo com a redução no consumo da proteína, consequência da crise econômica nacional. "Mas os preços só se mantêm em alta devido à falta de animais", completa o especialista.
Ele afirma que os frigoríficos são os que mais sofrem com a atual crise na economia. Além de pagar mais caro pela matéria-prima, o setor não tem conseguido repassar totalmente a alta no valor da arroba do boi para o consumidor. "O poder de compra do brasileiro está ruim", lamenta Lopes.
Abate
De acordo com dados do Mapa, só no ano passado foram abatidos no Brasil 26,83 milhões de animais, ante 26,74 milhões de cabeças no ano anterior. No ano passado, o Paraná abateu 1,05 milhão de unidades, contra 1,03 milhão em 2013. O Estado possui um rebanho de 6,5 milhões de cabeças de gado voltado para corte.
O repórter participou do Road Show da Pecuária a convite das empresas Merial Saúde Animal, Phibro Saúde Animal, Agro-Pecuária CFM e Compusoftware.


