Falta acabamento à carcaça brasileira
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sexta-feira, 29 de agosto de 2003
Dorico da Silva 
''A falta de um padrão no tipo da carcaça bovina faz com que o pecuarista brasileiro perca oportunidades no mercado externo''. A afirmação é do professor Roberto Sainz, da Universidade da Califórnia (EUA), que participou na semana passada do 1º Encontro de Novas Tecnologias da Pecuária, em Nova Fátima (31 km ao sul de Cornélio Procópio), promovido pela Hofig Ramos Agricultura e Pecuária (HoRa) e Gera Embryo.
O evento teve a participação de 400 pecuaristas, profissionais e estudantes de Veterinária, Zootecnia e Agronomia. Foram apresentadas as novas soluções utilizadas em programas de melhoramento genético do nelore no Brasil, e que já contribuem para aumentar a produtividade e competitividade da pecuária brasileira.
O problema enfrentado pelos produtores de gado de corte, para Sainz, ocorrem pela falta de acabamento, ou cobertura de gordura na carne. A gordura é fator determinante na qualidade do produto, tanto no que diz respeito à maciez quanto à palatabilidade e também para determinar o rendimento dos cortes comerciais. Outro papel desempenhado pela gordura é garantir a conservação da carne quando acomodada em câmaras frias.
A seleção genética, segundo o Sainz, é um dos instrumentos que contribuem para a melhoria da qualidade da carcaça. A novidade é a utilização de medições da Diferença Esperada na Progênie (DEP) de gordura. Essa medida é feita uma única vez no animal. A idade para o exame varia de acordo com o sistema de produção: em gado criado a pasto é feito aos 18 meses (550 dias), e no gado confinado a medição deve ser feita de 12 a 15 meses.
Um exame de ultrassonografia é que dá quantos milímetros (ml) de gordura o animal tem e define ainda o quanto ele irá acrescentar na carcaça e no acabamento dos filhos. A medida ideal, segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, de Brasília (DF), Cláudio Magnabosco, que também estava no evento, é de 5 ml (o nível mínimo de cobertura de gordura exigido é de 3 ml). A medição da gordura do animal deve ser feita na área de olho de lombo, expessura de gordura subcutânea entre a 12 e 13 costelas e garupa.
Sainz destaca que o primeiro passo a ser seguido pelo pecuarista para o melhoramento do rebanho é se inscrever em uma instituição que realiza esse serviço, que cuida da avaliação e a interpretação das informações dos animais. Ele cita a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), que trabalha em conjunto com a Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto. A associação integra o Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN-Nelore Brasil), que conta hoje com a participação de 246 fazendas - inclusive a HoRa - e um rebanho de mais de 500 mil animais avaliados.
''Se a mãe não tem acabamento suficiente aí compensa escolher um reprodutor que possa melhorar isso'', explica Sainz. ''Não há como substituir características, mas sim agregar melhorias'', completa. Não existe, segundo o professor, um animal perfeito. Por isso o sistema de acasalamento dirigido permite, com a avaliação genética, casar características para cada animal. A ANCP desenvolveu uma técnica, o Sistema Otimizado de Acasalamento Genético (Soag).
Conhecer a genética - Para isso, é preciso que o criador tenha informações genéticas do reprodutor e do rebanho. Sainz alerta que o melhoramento genético não garante que um animal seja de tal forma, mas que a média dos filhos terão as características desejadas. ''Trabalhamos com população e não com indivíduos'', ilustra. O professor americano lembra que o melhoramento genético no Brasil teve início há 15 anos, mesmo assim já representa um ganho para o rebanho.
Para o pesquisador Cláudio Magnabosco, os maiores desafios da pecuária brasileira hoje são a competição com outras fontes de proteínas; atender as exigências dos consumidores; flutuações do mercado e a melhoria dos índices de produtividade. ''As DEPs são uma arma muito útil nessa guerra, porque nos mostram quais os animais que vão acrescentar geneticamente os valores positivos que o criador procura para melhoria do seu rebanho'', finaliza.
A mensuração das DEPs de gordura é recente. Ape


