A suinocultura é prejudicada pela exigência da vacinação de aftosa, argumenta a Faep
A suinocultura é prejudicada pela exigência da vacinação de aftosa, argumenta a Faep | Foto: Arquivo FOLHA



"Vacinação é sinônimo de insegurança, sem vacinação é credibilidade, confiança e dinheiro". A frase marcante é do assessor da presidência da Faep e ex-secretário da Agricultura do Paraná, Antônio Poloni, e resume bem a proposta da entidade em agilizar o quanto antes o reconhecimento pela OIE para 2020. "Estamos muito atrasados, já perdemos muito tempo, é um processo que demora três anos. Agora, com essa possibilidade de avançar, temos que fazer logo para todos ganharem", decreta.

O manifesto escrito pela Federação juntamente com 200 entidades, relata como um dos principais argumentos para acelerar esse "processo de área livre de aftosa sem vacinação" é que o Estado vive "discriminação e o isolamento" no mercado internacional de proteína animal, o que pode inviabilizar a suinocultura, a produção de leite, a avicultura e a qualidade da carne bovina. "Vale destacar que já sofremos as consequências por sermos barrados em 65% do mercado internacional de carne suína, além de pressionados no setor de lácteos e na avicultura para elevarmos o status sanitário do Estado. Enquanto o mundo expande suas importações, nós paranaenses somos marginalizados no mercado."

Segundo a Faep, não se pode "admitir a defesa de um status que exige vacinação obrigatória a todos apenas para resguardar um pequeno trânsito de bovinos oriundos de outros estados, ingresso esse que representa menos de 1 % do rebanho efetivo do Paraná, conforme dados divulgados pela Adapar em 2017". "A vacinação, ao contrário do que parece, funciona como uma ação complementar para uma defesa sanitária que, para os critérios internacionais, não é suficiente. Sabemos que a obrigatoriedade de vacinar não reflete a nossa realidade atual. Hoje, temos totais condições de dar respostas imediatas, em uma remota possibilidade de um problema. Falta apenas o reconhecimento pelos órgãos internacionais, o que vai nos permitir mostrar também ao mundo que nosso sistema é robusto", salienta o presidente da entidade, Ágide Meneguette.

Já para Poloni, o Paraná está à frente tecnicamente dos outros estados e por isso tem todas as condições de adiantar o processo. "Temos diferenciais, já fizemos uma análise de custo-benefício, temos um fundo garantidor para a questão sanitária, metodologia dos conselhos de sanidade, indústrias das cooperativas que vão auxiliar o Estado nos postos que ainda estão faltando e ainda uma Adapar forte. É um procedimento bem planejado e estudado. Queremos um estado na primeira classe da sanidade, sem nenhuma barreira internacional e assim respeitado e remunerado em todas as carnes que produz."

A entidade cita, por exemplo, um caso da Coreia do Sul, que recentemente fechou acordo de importação de suínos de Santa Catarina, único estado brasileiro "livre de febre aftosa sem vacinação". "Isso vai gerar aumento das exportações, melhor preço, maior produção, implantação de agroindústrias, mais impostos, empregos e outros fatores de distribuição da riqueza. É algo que atinge toda a agropecuária, o que inclui suinocultura e avicultura, nas quais somos grandes produtores e exportadores. É com muita responsabilidade que defendemos o fim da vacinação contra a febre aftosa. Afinal, o risco de foco não se elimina com vacina. E sabemos a importância de estarmos sempre em alerta porque seriamos nós, produtores rurais e pecuaristas, os maiores prejudicados se a nossa decisão não tivesse sido tomada de forma responsável", complementa Meneguette. (V.L.)

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