''Esperamos que agora, de uma vez por todas, o governo federal deixe de ser irresponsável e trate as questões de sanidade animal e vegetal como prioridade''. O desabafo é do presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette. Ele responsabiliza a ''inércia'' do governo na liberação de recursos pelo foco de aftosa registrado na fazenda Vezozzo, no Mato Grosso do Sul (MS), no início da semana.
Para o presidenta da Faep, as questões de segurança animal e vegetal não devem se encaixar nos ''discursos de redução de despesas''. ''A defesa sanitária não pode ser preocupação exclusiva para a exportação, mas sim para todos os brasileiros'', alfineta. Meneguette cita a movimentação da agropecuária nacional em busca de recursos que melhorassem as ações de fiscalização do setor, bem como a contratação de médicos veterinários para esses serviços e, até agora, sem respostas por parte do governo. ''O fato registrado no Mato Grosso do Sul só confirma o descaso do governo'' diz.
Meneguette lembra a atual crise enfrentada pela agricultura e que já interfere na economia e na geração de empregos. ''Toda a sociedade perde com isso. Quantos bilhões de reais deixam de circular na economia do Paraná?'', questiona. Ele lembra o caso da vaca louca, registrado na Inglaterra e que, segundo ele teria provocado prejuízos ''monstruosos''.
O efeito imediato dos importadores, como os embargos à carne brasileira, para Meneguette, são considerados como uma praxe nas negociações internacionais. ''O governo vai ter que explicar se os procedimentos adotados seguem as regras determinadas pela Organização Internacional de Epizootias'', afirma. O fim do embargo, segundo ele, pode ocorrer se as autoridades desse países forem convencidas das medidas de controle e de isenção dos estados vizinhos. O presidente da Faep espera ainda que os representantes políticos (senadores, deputados) façam ''pressão'' junto ao governo.
No Paraná, destaca Meneguette, existe um trabalho intenso das entidade representativas pela conscientização e profissionalização de todos os setores da agricultura. Ele cita os cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR), em parceria com a Faep e sindicatos rurais.
Meneguette informa que na próxima segunda-feira, por convocação do secretário de Agricultura e governador em exercício, Orlando Pessutti, haverá uma reunião com os representates dos conselhos de sanidade e saúde animal e vegetal. O objetivo do encontro é intensificar a conscientização dos pecuaristas para a segunda etapa da campanha de vacinação contra aftosa marcada para o mês de novembro. ''Temos que fazer o dever de casa e atingirmos o índice de 100% do rebanho'', afirma. O Estado, segundo ele, estuda a possibilidade de antecipar o início da campanha para ainda este mês.

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