Faep quer a volta da Patrulha Rural
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sexta-feira, 04 de março de 2005
Reportagem Local 
Maringá A alta incidência de furtos e roubos em propriedades rurais da região de Maringá levou o presidente do Sindicato Rural do município, José Antônio Borghi, a fazer um apelo às vítimas para que obrigatoriamente registrem as queixas nas repartições policiais. ''Se isto não for feito, como poderemos avaliar a real extensão do problema? Como mapear este tipo de ocorrência e fornecer informações fundamentais para as investigações se a Polícia não tem um diagnóstico real da situação?'', questiona.
Geralmente, as propriedades são distantes das cidades e de postos policiais e armazenam maquinários e insumos de alto valor. Consequentemente, atraem a atenção dos marginais, que vêm em furtos, roubos e assaltos em imóveis rurais menos riscos e mais lucros.
Segundo Borghi, a incidência real de crimes contra o patrimônio rural deve ser até o triplo do total das estatísticas oficiais. ''Isto porque a grande maioria dos agropecuaristas opta por não registrar queixa por desacreditar na recuperação dos produtos furtados ou roubados'', declara.
Na 9 Subdivisão Policial de Maringá, de acordo com o escrivão-chefe Pedro Menck, são registrados, no máximo, três ocorrências desta natureza por mês. ''Independentemente da recuperação ou não de produtos, temos que levantar a real situação para podemos planejar nosso trabalho'', argumenta.
Patrulha rural A ação dos marginais vem sendo facilitada pela extinção, por decisão da governo do Estado, do programa Patrulha Rural. Sem viaturas percorrendo a zona rural, os bandidos ficam mais à vontade, pois sabem que dificilmente correrão risco de confronto direto com os policiais. Mesmo que as vítimas soem o alarme, os marginais apostam nos fatores tempo e isolamento do imóvel para fugirem sem riscos.
De acordo com Borghi, as investidas são caracterizadas pela violência. Ele conta que em uma propriedade produtora de grãos e gado em Floresta (25 km a oeste de Maringá), os familiares foram amarrados enquanto os ladrões levavam uma caminhonete. Na estrada Pinguim, em Maringá, em uma só noite, outras quatro propriedades foram furtadas. ''São comuns situações de produtores rurais que compram agrotóxicos e, no mesmo dia, têm suas propriedades invadidas'', aponta.
O presidente assinala que os defensivos, que custam até R$ 700 o litro, são o alvo principal dos roubos. Mesmo assim, dependendo do veículo utilizado, os ladrões ainda levam bovinos abatidos, aparelhos de TV, microondas, celulares, antenas de rádio, aparelhos isoladores de energia, discos de plantadeiras, serras-fita, tacógrafos, motoserras, lixadeiras, furadeiras, entre outros objetos. ''Com um pequeno veículo, os bandidos conseguem altos lucros quando levam defensivos de alto valor'', observa.
A solução pode estar na volta do programa Patrulha Rural. Para pleitear o retorno das viaturas ao campo, a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) recomenda aos agropecuaristas que registrem queixa e enviem uma cópia do boletim de ocorrência ao sindicato rural do município onde a propriedade está localizada ou jurisdicionada. A partir do levantamento das ocorrências é que a federação poderá cobrar ações do governo do Estado.


