Federação diz que manterá, em 2004, a posição de defesa dos agricultores diante de problemas como invasões e medidas que prejudiquem a produção
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, previu mais um ano de boa produção. ''Vamos ter mais um recorde na produção agropecuária, com um aumento nas exportações. O que nos prejudica é este câmbio contido, embora o governo insista em dizer que ele flutua'' - disse.
''É preciso levar em conta que a alta cotação da soja, hoje, é o sinal para que outros países aumentem a sua produção. Não dá para ficar esperando que São Pedro castigue os Estados Unidos com secas todos os anos''.
''Por tudo isso - afirma Ágide -, não me alinho entre os otimistas que acham que 2004 será um grande ano para a agricultura. No volume de produção sim, mas não na renda do produtor''.
Crescimento - Quanto à economia do País de um modo geral, a agricultura está à espera da retomada do desenvolvimento.
''Com poucos investimentos à vista, acho que a ocupação da capacidade ociosa já permite um razoável impulso. Vamos torcer para que depois disso hajam investimentos novos, sem o que não haverá um crescimento sustentado capaz de gerar os empregos necessários e a renda indispensável para que o país saia desta situação de imobilismo''.
Faep vigilante - Sobre os planos da Faep e Senar, no seu trabalho educativo e de treinamento, Agide disse que a Faep vai manter sua postura de defesa dos produtores.
Nosso plano é continuar vigilante em relação aos problemas que atingem nossos filiados, como as invasões de terra, as inconsequencias sobre o meio ambiente, as mudanças nas legislações trabalhista e previdenciária. A Faep tem um programa chamado ''Casa em Ordem'', que está ajudando os produtores a se colocarem de acordo com essas legislações, para evitar desapropriações e autuações. Vamos continuar no próximo ano.
Quanto ao Senar, diante do grande sucesso que foi o primeiro Programa Empreendedor Rural, em parceria com o Sebrae, que formou 2 mil empreendedores, o plano é repetí-lo em dose dupla.
''Nossa meta - disse - é formar mais 5 mil empreendedores rurais e dar oportunidade aos que fizeram o primeiro módulo para que prossigam estudando e se aperfeiçoando. Particularmente estou muito otimista em relação aos resultados desse programa para mudar a economia agroindustrial do nosso Estado.
Destino da renda - Perguntado se concorda que 2003 foi um ano de bons resultados para o agronegócio, mas não foi, necessariamente, para o produtor, Ágide disse que sim. O agronegócio teve bom desempenho, embora as pontas da produção e do consumo não tenham se beneficiado na justa proporção que os segmentos da indústria e do comércio.
''A sua avaliação é correta. Com exceção talvez para o caso da soja, beneficiada pelo aumento da demanda e quebra da safra norte-americana a soja brasileira teve seus preços elevados muito acima da média histórica.
Segundo Ágide, não fosse isso, com o câmbio que temos, os produtores de soja também teriam sido prejudicados, como foram os de trigo, milho e outros produtores. ''Assim não dá para dizer que os bons resultados econômicos do agronegócio chegaram até os agropecuaristas''.
Perguntado sobre os embates políticos - se houve - e como foi conviver com a posturas populistas nas esferas de governo, o presidente da Faep disse:
Já era esperado que teríamos dificuldades principalmente na questão fundiária e de meio ambiente. O MST achou que a chegada do PT ao governo federal era a senha para recrudescer as invasões e o fizera com violência. No Paraná o número de invasões cresceu muito este ano, em grande parte porque o governo do Estado, que deveria cumprir os mandados de reintegração de posse, adotou a tática da negociação. Sem sucesso, é claro, a ponto de ter que mudar sua postura neste final de ano, adotando uma posição mais firme em relação aos invasores. Na questão ambiental, vamos ter que mudar a legislação atual, muito drástica e inadequada às condições do Paraná e dos Estados do Sul e Sudeste, principalmente.

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