Fábricas na agricultura familiar
Da Redação
A agricultora Maria Luiza Costa Tanamati transforma a produção do sítio em que mora, em Apucarana, no Norte do Paraná, em mais 200 de pratos diferentes, que ela comercializa na Feira do Produtor realizada na cidade.
Feliz com o sucesso do empreendimento iniciado há pouco mais de quatro anos, Maria Luiza quer ampliar a cozinha e contratar mais funcionários. Mas esbarra na dificuldade de conseguir pessoal qualificado, que trabalhe conforme as regras sanitárias exigidas pelos órgãos de Saúde. Outra dificuldade de Maria Luiza está em conseguir uma marca própria e embalagens que facilitem a identificação e a comercialização de seus produtos.
Parcerias O programa Fábrica do Agricultor, desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), pretende ajudar pessoas como Maria Luiza. O objetivo é incentivar o crescimento de pequenas unidades agroindustriais, com apoio do setores público e privado, através de parcerias.
De acordo com o coordenador do programa, Luiz Gusi, é preciso oferecer oportunidades para que o agricultor-empreendedor ou pequeno e médio empresário, do segmento agroindustrial, tenha mais rentabilidade.
Conquistar mercados Outro objetivo é auxiliar as unidades e empresas agroindustriais de pequeno e médio porte já existentes a conquistar um espaço maior no mercado. A Seab fez uma pesquisa com abrangência estadual em 1,3 mil pequenas e médias unidades agroindustriais com valores médios de investimentos inferiores a R$250 mil. O trabalho apontou algumas dificuldades que impedem estas unidades de se firmarem no mercado de forma mais competitiva e eficiente.
Existem também iniciativas de pequenos agricultores e empreendedores no meio rural que poderiam ampliar seus mercados de regional para nacional, mas ainda estão restritas. A demanda por produtos de qualidade existe, mas as dificuldades de acesso ao mercado são muitas, admite Gusi.
É o caso da AgroIndustrial Funghi, de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, que produz e comercializa cogumelos do tipo champignon. O proprietário Jackson Guelmann produz seis toneladas de cogumelos por mês e comercializa para as principais redes de supermercados da região de Curitiba, Ponta Grossa, Norte e Oeste do Paraná e ainda para Santa Catarina. Segundo Guelmann, a empresa tem potencial e demanda para comercializar 20 toneladas de cogumelos por mês e outros produtos mais nobres, procurados no comércio. O que impede a ampliação do negócio é a falta de financiamento. Se tivesse acesso a um financiamento, que seria investido no repasse de insumos aos produtores, poderia acelerar o empreendimento.
Guelmann pretende iniciar um projeto de integração com famílias de pequenos agricultores do município de Tijucas do Sul. Essas familias se dedicavam anteriormente à integração com uma empresa avícola, fechada recentemente, e agora estão procurando novas alternativas de renda.
A Agroindustrial Funghi pretende aproveitar essa mão-de-obra para aumentar a produção de cogumelos. Numa parceria com a prefeitura, a empresa se compromete a treinar os pequenos produtores e comprar a produção.
Guelmann afirma que essa integração será feita de qualquer maneira, mesma que seja com recursos próprios, o que irá reduzir o projeto inicial de 10 famílias integradas para uma ou duas.
Acesso tecnológico De acordo com Gusi, quando o empreendimento se mostra viável economicamente, o programa Fábrica do Agricultor auxilia na identificação de linhas de crédito disponíveis para o setor e na redução da burocracia para regularizar o empreendimento.
Gusi afirma que não é só dinheiro que impede o crescimento das agroindústrias. Segundo ele, muitas delas têm dificuldade de acesso a novas tecnologias e à assistência técnica especializada.
Não possuem embalagens e rótulos adequados às exigências de mercado. Dificilmente conseguem o acesso a linhas de crédito compatíveis com a atividade e encontram problemas para regularizar o estabelecimento e o produto. Além disso, não têm escala de produção, falta profissionalização do empreendedor e da mão-de-obra. Além disso o acesso aos canais de comercialização são restritos, resumiu.
Dinheiro para investir Outro produtor a fim de expandir suas atividades, para atender a demanda, é Gentil Teles de Proença, que fabrica óleos essenciais a partir de ervas medicinais e aromáticas, em Marilândia. Proença montou a Petit Grand, uma pequena fábrica de produção de óleo de eucalipto, erva-cidreira, citronela, entre outros.
Proença não tem produção suficiente para manter sua fábrica funcionando todos os dias. Se tivesse produção, criaria mais 14 postos de trabalho. Atualmente produzo 200 quilos de óleo de eucalipto por mês, mas existe potencial para produzir 200 quilos de óleo por dia. A produção é destinada à exportação e para a indústria farmacêutica, de cosméticos e de limpeza no mercado interno.
Segundo Proença, um laboratório de Londrina queria que o produtor assumisse o compromisso de entregar 1.000 quilos de óleo de eucalipto por mês. Outra empresa, de Apucarana, queria comprar 600 quilos por mês. A dificuldade de assumir todos esses compromissos, segundo o agricultor, é a falta de matéria- prima.
Proença pretende adotar o programa Fábrica do Agricultor e conseguir um financiamento entre R$30 mil e R$50 mil. O dinheiro seria para investir na produção de mudas e compra de insumos, que seriam repassados aos produtores que têm área ociosa e poderiam cultivar as plantas aromáticas e medicinais.





