Extrair sem causar prejuízos
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de janeiro de 2002
Liana John Agência Estado 
Campinas - A retirada de sementes de palmito juçara dos parques paulistas para produção de mudas destinadas ao enriquecimento de matas manejadas é medida positiva, mas vista com cautela pelos especialistas que pesquisam a produtividade da espécie e sua importância em relação à fauna.
Tudo vai depender da quantidade de sementes a ser retirada. Existe certamente um excesso de sementes de palmito produzidas em locais com alta densidade de plantas adultas, como por exemplo no Parque Estadual de Intervales; em outros locais isso certamente traz impacto para a fauna, principalmente aves de grande porte, como tucanos, arapongas e sabiás-una, explica o biólogo Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista.
Na Mata Atlântica, o palmito juçara é considerado uma espécie de grande importância para a sobrevivência de primatas, roedores, araras, papagaios e tucanos. Trata-se de uma palmeira muito produtiva, com um longo período de frutificação (janeiro a junho) e cujos frutos alimentam os mamíferos e aves num período crítico, o início da estação seca.
ExcessosA retirada do cerne da palmeira para comercialização do palmito mata a árvore e reduz a quantidade de frutos disponíveis para a fauna. Isso não costuma ser um problema em áreas manejadas, onde se tem o cuidado de deixar um número razoável de matrizes e palmeiras adultas para assegurar a frutificação e reprodução, mas a história da exploração do palmito da Mata Atlântica é de excessos, com a eliminação total de palmeiras adultas e jovens em matas particulares e inúmeros casos de roubos e depredação do recurso em parques e reservas florestais.
As matrizes costumam ser as mais visadas pelos palmiteiros, porque são maiores e rendem mais palmito, diz Paulo Kageyama, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP). Cálculos informais do Instituto Florestal já estimaram em cerca de oito caminhões por semana a quantidade de palmitos retirados de parques paulistas.


