O sucesso dos agricultores de Uraí se deve à assessoria constante da agrônoma da Emater no município, Ernestina Muraoka, a Tina, e ao acompanhamento do especialista em café orgânico do escritório regional da Emater em Cornélio, Paulo Sérgio Barbosa. ''As cidades que hoje despontam em orgânicos é porque têm extensionistas que se envolvem na causa e não se cansam de estudar as melhores formas de se produzir nesse sistema, com rentabilidade. Caso contrário, a coisa não dá certo, porque o orgânico dá mais trabalho e demanda maior acompanhamento'', afirma Tina.
Como o orgânico ainda não tem modelos definidos de manejo, Tina Muraoka admite que desde que começou a trabalhar neste sistema com os produtores locais, em 1996, já cometeu muitos ''erros graves'', mas aos poucos foi aprendendo. ''Erramos principalmente no que se referia à fertilização do solo'', diz a extensionista. ''O que acontece é que nos dois primeiros anos o produtor se empolga por conseguir uma produção igual à do café convencional. Mas isso porque nessa fase inicial ainda se tem uma reserva razoável de nutrientes no solo. Daí, nos anos seguintes, a produção cai bruscamente se você não alimentou o solo para fazer essa reposição'', observa.
Segundo ela, as variedades modernas que os produtores usam garantem produtividade alta e são resistentes à ferrugem. Porém, são muito exigentes em termos nutricionais. ''E, como no começo, o produtor não tem como fazer toda a compostagem no próprio sítio, precisa importar insumos de fora'', informa a agrônoma.
Tina diz que num momento inicial o agricultores orgânicos precisam se conscientizar de que têm que ''botar a mão no bolso''. ''Caso contrário, não conseguirão entrar no mercado. Mas estimamos que dentro de uns dez anos o sistema já estará equilibrado, auto-suficiente'', prevê. (J.K.)

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