Exposição de Uraí: 50 anos de história
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Reportagem Local 
A Exposição Agrícola 2003 de Uraí será aberta neste sábado, às 10 horas, e apresenta cerca de três mil ítens, de 300 expositores locais. Uma programação especial marca os 50 anos do evento. Os organizadores estão prevendo a visita de 3,5 mil a 4 mil pessoas. A Exposição termina amanhã às 18 horas.
A Exposição Agrícola de Uraí tem história. Expressa a competência e a dedicação dos participantes, mas o seu papel na vida do município e da região vai além dessa demonstração de fé na produção de alimentos. Ao logo dos anos, ela testemunhou a evolução tecnológica, a transformação da agricultura e a força com que o setor superou os caprichos do clima. A agricultura que a exposição mostra, também incorporou novas técnicas, novos produtos e sistemas de produção até o atual conceito do agronegócio.
Elo de ligação entre agricultores da colônia japonesa, a exposição acabou também tendo o seu papel político, ainda que involuntário. É que durante a Segunda Guerra Mundial, a repressão inibia reuniões, mesmo quando era para discutir assuntos estritamente técnicos e do interesse profissional. A feira, então, dissimulava bem esses contatos, conferindo-lhe um caráter de confraternização.
A guerra terminou em 1945, mas a repressão continuou até 1954. O Clube Esportivo e Cultural Uraiense - que mais tarde deu lugar à Associação Cultural - começou a existir na prática desde 1952, mas não podia ser reconhecido: a reunião e aglomerações de pessoas eram proibidas no tempo da repressão, conta Sebastião Matsuo Hokari que tratou de levantar os rascunhos da história.
Os depoimentos de pessoas que cresceram acompanhando essa trajetória - e hoje participam ativamente dela -, revelam como foi a construção dessa obra de três gerações.
A Folha Rural ouviu algumas dessas pessoas, hoje responsáveis pelo evento. No último sábado, na sede da Associação Cultural e Esportiva de Uraí (Kaikan), Rubens Júlio Shishido, atual presente da ACEU; Lino Fukuda, Jorge Noso e Katsutoshi Ito, coordenadores da Exposição, e Sebastião Matsuo Hokari, tesoureiro, da ACEU, fizeram um mergulho pela história de 50 anos de trabalho. Um álbum de fotografia do senhor Massayuki Taketa documenta anos de trabalho e união. Massayuki foi o primeiro coordenador da Exposição.
Com a preocupação de não esquecer de ninguém, os atuais diretores foram citando nomes dos personagens que fizeram história na agricultura de Uraí.
E como num compromisso de continuar a obra, Júlio, Lino Fukuda, e Sebastião Hokari também falam como tocar o evento e como imaginam que ele será no futuro, pelas mãos das gerações sucessoras.
A colônia japonesa cresceu prestando serviços sociais nesses 50 anos - explica Júlio Shishida. Se a cidade, hoje, tem um potencial muito grande é porque tudo começou lá pelos anos 30. Hoje o destaque é a uva fina, que vai para as grandes capitais, mas esse papel, em outras épocas, coube a culturas como o café, hortaliças, rami e outros produtos, lembra.
''Hoje estamos na terceira geração, procurando contribuir com o mesmo empenho que os nossos pioneiros'', resume, sem esconder as dificuldades.
A alta tecnologia no campo, a informática no comércio, os filhos da terra que estão brilhando nas grandes cidades - no exercício de profissões como medicina, agronomia e outras - tudo isso, enfim, não apaga da lembrança as conquistas de 50 anos atrás.
Sebastião Matsuo Hokari lembra que a exposição tinha como objetivo a integração da colônia e sua imensa capacidade de realização e senso de organização. Comunidades das cidades vizinhas visitavam a exposição e se sentiam estimuladas a realizar promoção semelhante.
Uraí realiza esse evento ininterruptamente. Foi importante também politicamente e até recebeu a visita do presidente João Café Filho. E entre os governadores ela foi visitada por Bento Munhoz da Rocha Neto e Paulo Pimentel.


