Exportar é a melhor opção
A exportação da soja em grão constitui o melhor negócio para os produtores rurais que investiram na cultura, analisa o pesquisador Antônio Carlos Roessing, da área de Economia Rural do Embrapa-Soja. Ele explicou que desde 1996, quando foi promulgada a Lei Kandir, as exportações do produto em grão são isentas do pagamento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tornando a transação mais rentável que a venda no mercado interno ou a exportação do farelo já esmagado.
A Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais prevê que mais de 10 milhões de toneladas serão exportadas, superando as 9,5 milhões enviadas ao exterior na safra passada. Apesar das perspectivas positivas, Roessing observa que o preço da saca - estimado em aproximadamente R$ 17 - não é satisfatório.A expectativa era comercializar a saca a U$ 10 (R$ 20).
De acordo com o Boletim Agrícola 204 da FNP Consultoria e Comércio, a situação tende a agravar-se para o produtor, pois a Argentina caminha rumo a uma safra recorde, que deve alcançar 25 milhões de toneladas. Outro fator agravante é a expectativa de novo aumento na área plantada dos Estados Unidos.
O ano 2001 deverá ser cheio de turbulências e os preços tendem a permanecerem em patamares inferiores aos do ano passado, contrariando inclusive nossas expectativas iniciais, informa a publicação, ressaltando que a recuperação dos preços depende de uma acréscimo substancial no consumo mundial.
O pesquisador da Embrapa-Soja acredita no aumento da demanda mundial. Ele argumenta que a economia do continente asiático sinaliza recuperação frente à crise monetária que enfrenta desde 1997, fato que deve aumentar o consumo de alimentos pela população, proporcionando maior consumo de farelo para alimentação de animais.
Outro fator que pode favorecer o mercado é a preocupação com a doença da vaca louca. Como o problema foi identificado nas rações de origem animal, o pesquisador acredita que o consumo de farelo de soja vai subir. Só este fato deve aumentar a demanda mundial em dois milhões de toneladas, comentou.
A conjuntura também será favorável para o Brasil aumentar a exportação do farelo, cujos índices de venda para o mercado internacional não acompanharam o crescimento identificado nas exportações do produto em grão. Roessing também prevê crescimento no consumo interno do farelo, pautado pela perspectiva de crescimento da economia brasileira em torno de 4%.
A partir de agosto o preço da soja começa a melhorar, ele analisa, graças à entressafra nos Estados Unidos. Pode haver falta do produto, pois as indústrias com demanda de exportação precisarão comprar grãos para esmagar. O preço deve superar R$ 20 em setembro. (C.A.)





