Políticas agrícolas que diminuam os custos ''fora da porteira'' são necessárias para aumentar o volume de vendas externas. O Instituto Paranaense de Desenvolvimento e Estatística (Ipardes) divulgou, no início deste mês, que o setor do agronegócio foi responsável por 52% das exportações do Estado no primeiro semestre de 2001. Apesar do volume representativo, o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Agide Meneguette, acredita que essa participação poderia ter sido ainda maior se existissem políticas agrícolas que favorececem a diminuição de custos ''fora da porteira''.
''É fundamental reduzir o custo Brasil'', comentou, referindo-se ao conjunto de tributações indiretas que incidem sobre os produtos e serviços, aumentando os preços. O alto custo para escoamento da safra é outro problema que, na opinião de Meneguette, precisa de soluções urgentes.
Ele explicou que a produção paranaense é escoada para o Porto de Paranaguá via rodovias. ''Durante a safra, a demanda aumenta e o preço do frete chega a subir 100%'', disse. Além disso, as tarifas portuárias são caras e a descarga no porto é lenta, o que obriga os caminhões a ficarem parados por vários dias. ''É preciso aumentar o volume do tráfego rodoviário'', defendeu.
Infra-estrutura deficiente Na opinião do presidente da Faep, o produtor paranaense é tão eficiente quanto os agricultores de países desenvolvidos. ''A produtividade da soja é a mesma que a americana'', revelou. Porém, como há deficiências de infra-estrutura, os produtos brasileiros acabam encarecendo e tornando-se menos competitivos.
Entre outras necessidades urgentes, ele cita a demanda por investimentos no setor de armazenagem. ''Não podemos ter safras grandes de milho e soja, ao mesmo tempo, pois não teríamos onde guardar.'' Outra reivindicação da entidade é a ampliação das ferrovias, que permitiriam transportar a safra a preços mais baixos.
O fortalecimento da agroindústria é outro item que beneficiaria o setor do agronegócio. ''Porém, não há programas efetivos para atrair empresas, como aconteceu com a indústria de automóveis'', lembrou Meneguette. O investimento em pesquisa e a divulgação dos resultados obtidos para os produtores também são considerados fundamentais pelo dirigente da federação.
Sobre os planos de safra anunciados pelo Ministério da Agricultura, ele considera que possuem o defeito de serem anuais. ''É um prazo muito curto, que impossibilita de planejarmos as atividades e nos recuperarmos caso surjam imprevistos. Cinco anos sem mudanças seria um prazo mais adequado'', opinou.
A Folha Rural procurou a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento e o Ministério da Agricultura e Pecuária para informações sobre a importância do agronegócio no Paraná e no Brasil, mas não obtivemos respostas.

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