Exportações fortalecidas no Estado e no País
Dados da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) mostram que o produto nacional ganhou um espaço surpreendente nos últimos anos em outros países. Em 2014, foram exportados 25,3 mil toneladas de mel, alta de 48,1% frente aos 16,1 mil toneladas do ano anterior. No que diz respeito ao montante comercializado, a alta foi de US$ 54,1 milhões para US$ 98,5 milhões (+82%), fechando com o quilo sendo comercializado a ótimos US$ 3,89. Em 2015, o preço médio pago até agora é de US$ 3,95. O principal comprador do mel brasileiro são os Estados Unidos, adquirindo 75% do volume.
No Paraná, também houve uma evolução significativa das exportações. No ano passado, foram três mil toneladas vendidas, alta de 50% frente as duas mil toneladas de 2013. Em valores, o salto foi de US$ 6,8 milhões para US$ 11,7 milhões, alta de 72% e preço pago por quilo de US$ 3,81.
De acordo com a secretaria executiva da Abemel, Joelma Lambertucci, a exportação ganhou um fôlego diferenciado há aproximadamente dez anos, quando a Europa realizou um embargo ao mel chinês, que estava apresentando muitos problemas de qualidade. "Tivemos oportunidade de mostrar nosso produto. Antes, o mel brasileiro era considerado caro, mas não se comparava a qualidade dele frente ao chinês. Hoje, os importadores reconhecem o nosso mel, que é isento de resíduos, produzido em áreas livres de poluição, agrotóxicos, e a partir de abelhas resistentes, que não recebem antibióticos". Atualmente, muitos países continuam comprando o mel chinês, e fazem o "blend" com o mel brasileiro, uma espécie de mistura para melhorar a qualidade do produto final, sem investir tanto.
Para 2015, a expectativa é que a produção de mel nos Estados Unidos e na Ucrânia sejam melhores, o que pode inibir um pouco as exportações brasileiras. "Nos próximos meses, pode haver uma redução dos números. Com os preços elevados, muitas empresas internacionais começam a reduzir a quantidade de mel, substituindo por outros produtos. Mesmo assim, acreditamos ser possível fechar com o mesmo volume do ano passado, mas nossa meta é um incremento de 15%", dia a secretaria executiva da Abemel.
Uma preocupação para o futuro das exportações é o plantio do eucalipto transgênico, já que o mel exportado deixaria de ser considerado orgânico. Cerca de 80% do produto vendido para os EUA e a Europa é orgânico, um grande diferencial do mel brasileiro. Neste mês, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a liberação do eucalipto geneticamente modificado da FuturaGene, empresa de biotecnologia, tornando o Brasil o primeiro país do mundo a aprovar o plantio de eucalipto transgênico para fins comerciais. "Pela legislação dos orgânicos, o mel só se enquadra dessa forma se estiver numa área que não haja nenhuma cultura geneticamente modificada. O eucalipto é uma planta melífera, fonte de alimento para as abelhas, e muito importante para o setor apícola. Para a Europa, o aumento da incidência do pólen geneticamente modificado nas amostras brasileiras faz com que haja grande probabilidade de perdermos esse mercado. A médio e longo prazos, há grande preocupação se não houver alterações da legislação neste sentido", conclui Joelma Lambertucci. (V.L.)





