Exportações devem atingir US$ 43 bilhões
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sexta-feira, 07 de outubro de 2005
Reportagem Local 
As mais recentes projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que o saldo comercial do agronegócio deve encerrar o ano com superávit de US$ 38 bilhões, resultado 11,3% superior aos US$ 34,1 bilhões do ano passado. Os US$ 38 bilhões de superávit consideram exportações de US$ 43 bilhões e importações de US$ 5 bilhões em 2005. Apesar de o valor do saldo comercial do agronegócio representar novo recorde, comprova também que o setor enfrenta problemas, principalmente no segmento de soja, devido à queda dos preços internacionais da commodity. O índice de crescimento é bem menor do que foi registrado nos últimos anos, lembra o chefe do Departamento de Assuntos Internacionais e de Comércio Exterior (Decex) da CNA, Antônio Donizeti Beraldo. O saldo do ano passado, de US$ 34,1 bilhões, por exemplo, foi 32% maior que o superávit de US$ 28,8 bilhões de 2003.
As exportações do agronegócio estão perdendo dinamismo, diz Beraldo. Dados referentes ao acumulado entre janeiro e agosto mostram que o agronegócio registrou exportações de US$ 28,6 bilhões, 10,1% a mais que os US$ 26 bilhões de igual período do ano passado. As importações do agronegócio, nos oito primeiros meses do ano, somaram US$ 3,3 bilhões, 5% a mais que os US$ 3,2 bilhões de igual período do ano passado. O saldo comercial, portanto (exportações menos importações) do agronegócio foi de US$ 25,3 bilhões nos oito primeiros meses deste ano, representando 37,7% do total das exportações brasileiras. Entre janeiro e agosto de 2004, o saldo do agronegócio, de US$ 22,8 bilhões, equivalia a 42,4% do total das exportações nacionais. O agronegócio perdeu espaço, diz Beraldo.
Caso mantida a atual tendência de perda de fôlego das exportações do agronegócio, como é estimado pela CNA, o saldo comercial do setor, em 2006, deverá repetir os números deste ano, ou seja, em estagnação em um superávit de aproximadamente US$ 38 bilhões. O chefe do Decex explica que a retração no ritmo de crescimento das exportações do agronegócio, este ano, deve-se principalmente aos maus resultados registrados no segmento de soja. Entre janeiro e agosto, o complexo soja (grão, farelo e semente) obteve receitas de exportação de US$6,5 bilhões, 13,6% a menos que os US$ 7,6 bilhões de igual período do ano passado. Essa perda deve-se à queda dos preços internacionais, uma vez que houve aumento do volume exportado.
O preço de venda da soja brasileira no mercado mundial foi de US$ 236 por tonelada, considerando a média do período entre janeiro e agosto deste ano. É um valor 18% mais baixo que os US$ 287,9/t que vigorou em igual período de 2004. A supersafra norte-americana foi responsável pela derrubada das cotações da soja. Na última safra, os Estados Unidos (principal produtor mundial do grão) colheram 85,5 milhões de t de soja, contra 66,8 milhões de t, na colheita anterior. Na próxima safra, os Estados Unidos devem colher 77,7 milhões de t de soja, queda de 9%. Ainda assim a oferta mundial não deve cair, ou seja, os preços da soja continuarão baixos, diz Beraldo.
Para o Brasil, a boa notícia é que apesar dos baixos preços, o País deverá exportar US$ 8,5 bilhões de soja, contrariando estimativas do início do ano, de que as remessas somariam US$ 8 bilhões. Dessa forma, o complexo soja continuará liderando o ranking de exportações, mas seguido de perto pelo complexo carnes. O segmento de carnes exportou US$ 5,3 bilhões entre janeiro e agosto, 34,5% a mais que os US$ 3,9 bilhões de igual período do ano passado.
Outro destaque é o segmento de açúcar e álcool, que exportou US$ 3,1 bilhões nos primeiros oito meses do ano, 59% a mais que os US$ 1,9 bilhão de igual período do ano passado. As exportações de café somaram US$ 1,9 bilhão entre janeiro e agosto, 57,4% a mais que o US$ 1,2 bilhão do mesmo período do ano passado. Segundo Beraldo, café, carne, açúcar e álcool devem repetir o bom desempenho em exportações em 2006, devido à recuperação de preços e aumento de demanda mundial.


