As empresas paranaenses ampliaram em 16% as exportações de frango no primeiro semestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado. O levantamento é da Agrostat, ferramenta do Ministério da Agricultura e Pecuária que divulga estatísticas de exportação e importação de produtos agropecuários.

O resultado reforça a posição do Paraná como o principal produtor e exportador de carne de frango em nível nacional.

Segundo o levantamento, as empresas paranaenses exportaram 1,2 milhão de toneladas nos seis primeiros meses de 2026, frente a 1 milhão de toneladas exportadas no mesmo período do ano passado.

O faturamento proveniente das exportações no primeiro semestre deste ano foi de US$ 2,2 bilhões, alta de 17% em comparação ao mesmo período de 2025.

Outros estados também apresentaram desempenho expressivo no semestre: Santa Catarina exportou 646,2 mil toneladas (+13%); Rio Grande do Sul embarcou 374,5 mil toneladas (+7,8%) e São Paulo exportou 175,1 mil toneladas (+14,3%).

Quanto ao destino das exportações, a China permaneceu como o principal mercado comprador da carne de frango brasileira entre janeiro e junho de 2026, somando 285,2 mil toneladas (+26,1%) e receita de US$ 771,5 milhões (+42,6%).

A alta de exportações pelo Paraná acompanha a tendência nacional. No acumulado de janeiro a junho do ano corrente, o faturamento total das exportações de carne de frango atingiu a marca de US$ 5,5 bilhões no país, o que representa uma elevação de 17,9% em comparação aos US$ 4,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Roberto Carlos de Andrade e Silva, veterinário do Deral (Departamento de Economia Rural), explica que o avanço reforça a liderança do Paraná em nível nacional e consolida o setor avícola brasileiro no topo no mercado global de exportações.

“Foi um primeiro semestre altamente positivo, impulsionado pela forte demanda externa e pela valorização da proteína animal no mercado internacional”, analisa o técnico do órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).

Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep acrescenta que a força logística dos portos paranaenses também contribuiu para esses números, sobretudo o de Paranaguá, que ampliou os embarques de carnes e congelados e respondeu por cerca de 47% das exportações brasileiras de carne de frango no 1º semestre deste ano.

“É importante ressaltar a diversificação de destinos, com China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Japão, Arábia Saudita e outros mercados que sustentaram o escoamento e a base produtiva e competitiva consolidada no Paraná, que já lidera as exportações brasileiras do produto.”

Os principais exportadores de frango no estado, são, sobretudo, as grandes integradoras e cooperativas, com destaque para a BRF, Seara/JBS, Pluma Agroavícola, Aurora, C.Vale e Lar Cooperativa.

PROJEÇÕES

As projeções divulgadas pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) indicam a continuidade do ciclo de expansão e a consolidação de novos recordes históricos.

Para o fechamento de 2026, estima-se que as exportações totais de frango alcancem até 5,875 milhões de toneladas em nível nacional, um crescimento de até 10,3% em relação a 2025, acompanhadas por uma produção nacional entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas (+5,6%).

Sobre o desempenho do Paraná, o dirigente da Faep considera que a tendência é de manutenção do bom ritmo até o fim do ano, mas com cautela.

“Os sinais de demanda seguem positivos e o semestre foi recorde, porém o mercado de proteína animal é sensível a preço, câmbio, frete, sanidade e eventuais barreiras comerciais. Em outras palavras, o cenário base segue favorável, mas não dá para projetar aceleração linear sem considerar esses riscos”, pondera.

mockup