Exportações de frango crescem 16% no Paraná
Forte demanda externa explica resultado positivo, que segue bom desempenho nacional
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de agosto de 2026
Forte demanda externa explica resultado positivo, que segue bom desempenho nacional

As empresas paranaenses ampliaram em 16% as exportações de frango no primeiro semestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado. O levantamento é da Agrostat, ferramenta do Ministério da Agricultura e Pecuária que divulga estatísticas de exportação e importação de produtos agropecuários.
O resultado reforça a posição do Paraná como o principal produtor e exportador de carne de frango em nível nacional.
Segundo o levantamento, as empresas paranaenses exportaram 1,2 milhão de toneladas nos seis primeiros meses de 2026, frente a 1 milhão de toneladas exportadas no mesmo período do ano passado.
O faturamento proveniente das exportações no primeiro semestre deste ano foi de US$ 2,2 bilhões, alta de 17% em comparação ao mesmo período de 2025.
Outros estados também apresentaram desempenho expressivo no semestre: Santa Catarina exportou 646,2 mil toneladas (+13%); Rio Grande do Sul embarcou 374,5 mil toneladas (+7,8%) e São Paulo exportou 175,1 mil toneladas (+14,3%).
Quanto ao destino das exportações, a China permaneceu como o principal mercado comprador da carne de frango brasileira entre janeiro e junho de 2026, somando 285,2 mil toneladas (+26,1%) e receita de US$ 771,5 milhões (+42,6%).
A alta de exportações pelo Paraná acompanha a tendência nacional. No acumulado de janeiro a junho do ano corrente, o faturamento total das exportações de carne de frango atingiu a marca de US$ 5,5 bilhões no país, o que representa uma elevação de 17,9% em comparação aos US$ 4,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Roberto Carlos de Andrade e Silva, veterinário do Deral (Departamento de Economia Rural), explica que o avanço reforça a liderança do Paraná em nível nacional e consolida o setor avícola brasileiro no topo no mercado global de exportações.
“Foi um primeiro semestre altamente positivo, impulsionado pela forte demanda externa e pela valorização da proteína animal no mercado internacional”, analisa o técnico do órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento).
Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep acrescenta que a força logística dos portos paranaenses também contribuiu para esses números, sobretudo o de Paranaguá, que ampliou os embarques de carnes e congelados e respondeu por cerca de 47% das exportações brasileiras de carne de frango no 1º semestre deste ano.
“É importante ressaltar a diversificação de destinos, com China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Japão, Arábia Saudita e outros mercados que sustentaram o escoamento e a base produtiva e competitiva consolidada no Paraná, que já lidera as exportações brasileiras do produto.”
Os principais exportadores de frango no estado, são, sobretudo, as grandes integradoras e cooperativas, com destaque para a BRF, Seara/JBS, Pluma Agroavícola, Aurora, C.Vale e Lar Cooperativa.
PROJEÇÕES
As projeções divulgadas pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) indicam a continuidade do ciclo de expansão e a consolidação de novos recordes históricos.
Para o fechamento de 2026, estima-se que as exportações totais de frango alcancem até 5,875 milhões de toneladas em nível nacional, um crescimento de até 10,3% em relação a 2025, acompanhadas por uma produção nacional entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas (+5,6%).
Sobre o desempenho do Paraná, o dirigente da Faep considera que a tendência é de manutenção do bom ritmo até o fim do ano, mas com cautela.
“Os sinais de demanda seguem positivos e o semestre foi recorde, porém o mercado de proteína animal é sensível a preço, câmbio, frete, sanidade e eventuais barreiras comerciais. Em outras palavras, o cenário base segue favorável, mas não dá para projetar aceleração linear sem considerar esses riscos”, pondera.


Fernando Faro
Editor de capa do jornal impresso.


