Exportações de couros somaram US$ 1,12 bi no semestre
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sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Reportagem Local 
O couro já é um dos principais itens da pauta de exportações do Brasil. Os embarques somaram o valor recorde de US$ 1,12 bilhão no primeiro semestre deste ano, com um acréscimo de 30% ante o acumulado de 2006, 20% acima das exportações de calçados (US$ 935 milhões) no mesmo período conforme cálculos do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). De janeiro a junho foi registrado ligeiro aumento de 14% nas importações de couros, US$ 76 milhões, o que segundo a entidade, resultou em um saldo da balança comercial do couro de US$ 1,04 bilhão nos seis meses de 2007.
O desempenho do setor, positivo à primeira vista, está ameaçado por uma série de fatores estruturais e conjunturais, adverte o diretor-executivo do diretor-executivo do CICB, Luiz Bittencourt. ''As exportações no primeiro semestre do ano cresceram 30% em receita, mas aumentaram apenas 4% em volume físico. Ou seja, o aumento foi resultado da alta dos preços internacionais do couro'', explica ele.
Outro aspecto preocupante é o elevado peso do couro wet blue sobre a pauta de exportações. ''O wet blue é a commodity do couro. Trata-se de um produto primário. O Brasil precisa investir mais no aumento das exportações de produtos acabados, de maior valor agregado'', diz Bittencourt.
Esse quadro é agravado por dois outros fatores: a queda do consumo de couro no mercado interno - o que estabelece perigosa dependência do mercado externo - e a sobrevalorização do real em relação ao dólar, que tolhe a competitividade do produto brasileiro.
''Se esse cenário não for alterado, corremos o sério risco de passar por um processo de desindustrialização da cadeia produtiva do couro'', adverte o diretor-executivo do CICB, que destaca a importância do segmento: o setor emprega 45 mil pessoas, movimenta um PIB de US$ 3 bilhões e recolhe quase US$ 1 bilhão anual em impostos.
Para reverter esse quadro, o CICB está propondo três medidas. O primeiro deles é a alocação dos recursos provenientes do recolhimento do imposto sobre a exportação do couro wet blue, de 9%, para o financiamento de máquinas e equipamentos para o acabamento de couro pelas indústrias que atualmente só processam o couro até o estágio de wet blue.
Outra proposta é a desoneração da importação de peles de caprinos e ovinos, medida importante porque a produção interna, da ordem de 7 milhões de peles, não atende à demanda das empresas, cuja capacidade de processamento é de 12 milhões de unidades.
Finalmente, a entidade reivindica maior agilidade na devolução dos de créditos gerados na exportação, pois a atual morosidade compromete o capital de giro das empresas.


