O Paraná não fica totalmente fora dessa festa, mas, se soubesse, bem que poderia estar melhor no ranking. Foi um ano bom para o algodão, que beneficiou mais o Centro-Oeste, fortes na cotonicultura. No Paraná o algodão ocupou espaços menores, o que sobrou da soja e do milho. A expectativa para a próxima safra de verão é de aumento de área e a disputa vai ser boa entre algodão e soja.
Algumas cooperativas, como a Integrada - com sede em Londrina mas com forte atuação em várias regiões - incentivaram o produto, prevendo preços que se confirmaram.
Os produtores brasileiros de algodão podem comemorar - diz a notícia divulgada esta semana - mesmo enquanto aguardam a oficialização da vitória do Brasil contra os subsídios americanos na Organização Mundial do Comércio (OMC). As exportações devem render, neste ano, US$ 650 milhões ao País, resultado 400% superior ao de 2003, quando os embarques renderam US$ 130 milhões, estima a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
O volume embarcado deve somar 500 mil toneladas, contra 175 mil toneladas no ano passado. Na safra atual, a expectativa é de colheita de 1,3 milhão de toneladas.
''É claro que uma decisão favorável na OMC seria uma vitória importante para nós, mas as previsões de exportação mostram que o trabalho feito nos últimos anos para inserção do algodão brasileiro no exterior deu certo'', afirmou o diretor-executivo da Abrapa, Hélio Tollini.
Nos últimos quatro anos, os produtores deixaram de lado a atitude de fornecer algodão ''apenas'' quando havia compradores e partiram para o ataque no mercado internacional. A criação de um sistema único para classificação da fibra, troca da análise manual por classificação mecânica e a rastreabilidade dos lotes fazem parte da estratégia. ''Trouxemos potenciais compradores para conhecer a produção nacional e participamos de seminários internacionais para dizer, entre outras coisas, que o Brasil produz algodão com a mesma qualidade da Austrália'', disse Tolini.
A seca dos últimos anos na Austrália reduziu a produção local e ajudou os cotonicultores brasileiros. Os australianos exportaram 850 mil toneladas de algodão na safra 2000/01, volume que está em queda desde então. Na safra atual, as exportações devem somar 387 mil toneladas. ''A participação da Austrália no mercado mundial caiu de 14% para 6% e o Brasil ganhou parte desse mercado'', afirmou.
Outro ponto importante foi a demanda ''feroz'' da China. Até anos recentes, a China importava entre 400 mil e 500 mil toneladas de algodão por ano. Mas o crescimento da economia local elevou a demanda anual para um milhão de toneladas. Além da China, Turquia, Indonésia, Tailândia e Paquistão são os principais destinos do algodão brasileiro.

mockup