Favorecida pela taxa de câmbio, as exportações brasileiras de carne bovina continuam em alta. No primeiro semestre desse ano, relativamente ao mesmo período do ano passado, o volume das vendas de carne bovina ao Exterior registra crescimento de 17,7%. Entre janeiro e junho deste ano foram exportadas 157,2 mil toneladas de carne, contra 136,6 mil toneladas no mesmo período de 1999.
Dentre os tipos de carnes exportados pelo Brasil, o melhor desempenho vem ocorrendo com o produto ‘‘in natura’’ cujo volume de vendas cresceu cerca de 40% no primeiro semestre, frente ao mesmo período do ano anterior.
No caso da carne bovina ‘‘in natura’’ nosso tradicional cliente é a União Européia, que é responsável por aproximadamente três quartos do total de nossas exportações desse produto. Para a carne bovina industrializada a União Européia compra aproximadamente metade de nossas exportações e os Estados Unidos cerca de um terço do total.
O atual desempenho favorável das exportações brasileiras de carne bovina tem duas razões principais: a inclusão de importantes regiões do Brasil como área livre de febre aftosa (reconhecimento pela União Européia) e que explica o crescimento das vendas ao exterior de carne bovina ‘‘in natura’’ e o baixo preço da carne brasileira em dólar no mercado internacional (em função da atual taxa de câmbio).
A tabela 1 apresenta um comparativo das exportações brasileiras de carnes bovina, suína e de aves para o período janeiro/maio de 1999 e 2000. Em volume destaca-se o crescimento de 47% nas vendas de carne bovina ‘‘in natura’’, de 29% nas vendas de carne suína e de 22 e 23 %, respectivamente, nas vendas de carne de frango ‘‘in natura’’ e industrializada.
Em valores, no entanto, não se observa crescimento nas vendas de carnes ao Exterior. Para o período janeiro a maio, o maior volume exportado neste ano relativamente ao ano anterior é totalmente anulado pelos menores preços de venda das carnes no Exterior, que caíram em média 19% no período (em dólar). Assim, a receita cambial brasileira com a venda de carnes bovina, suína e de frango tem ficado praticamente estável em relação a 1999, mas apresenta crescimento expressivo frente aos anos anteriores.
Consumo interno estável
O consumo interno de carne bovina, responsável pela compra de 9 em cada 10 quilos de carne produzidas no País segue em ritmo relativamente estável, resultado da estabilidade econômica e da renda dos consumidores. Neste ano, segundo projeções da Conab apontadas na tabela 2, os brasileiros devem consumir, em média, aproximadamente 36 kg de carne bovina, nível próximo ao observado em anos anteriores.
TABELA 1: EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CARNE, JAN-MAI, 1999-2000.
CARNES - 1999 (Jan/Maio) - 2000 (Jan/Maio) - VARIAÇÃO RELATIVA
VALOR - QUANT. - P.MÉDIO - VALOR - QUANT. - P.MÉDIO - 1999/2000 (Jan/Maio) -
- US$/Mil - T - US$/t - US$/Mil - T - US$/t - VALOR - QUANT. - P.MÉDIO - Bovina ‘‘In Natura’’ - 155.566 - 48.968 - 3.177 - 197.245 - 72.062 - 2.737 - 27 - 47 - -14 -
Bovina Industrializada - 155.676 - 55.148 - 2.823 - 115.946 - 52.539 - 2.207 - -26 - -5 - -22 -
Frango ‘‘In Natura’’ - 340.899 - 284.698 - 1.197 - 316.550 - 346.287 - 914 - -7 - 22 - -24 -
Frango Industrializado - 8.032 - 2.481 - 3.237 - 7.677 - 3.049 - 2.518 - -4 - 23 - -22 -
Peru - 14.639 - 7.341 - 1.994 - 22.372 - 12.012 - 1.862 - 53 - 64 - -7 -
Suína - 44.565 - 26.627 - 1.674 - 47.391 - 34.459 - 1.375 - 6 - 29 - -18 -
Outras Carnes - 18.663 - 16.652 - 1.121 - 23.259 - 21.693 - 1.072 - 25 - 30 - -4 -
TOTAL GERAL - 738.040 - 441.915 - 1.670 - 730.440 - 542.101 - 1.347 - -123-19
TABELA 2: INDICADORES DA BOVINOCULTURA NO BRASIL - 1995/2000.
ITEM - 1995 - 1996 - 1997 - 1998 - 1999 - 2000* -
Rebanho (1.000 cabeças) - 150.037 - 153.058 - 156.289 - 159.752 - 163.470 - 167.471 -
Produção de carne ( 1.000 t equiv. carcaça) - 5.710 - 6.187 - 5.922 - 5.794 - 6.182 - 6.460 -
Importação (1.000 t equiv. carcaça) - 121 - 150 - 165 - 123 - 75 - 57 -
Exportação (1.000 t equiv. carcaça) - 250 - 249 - 296 - 386 - 565 - 587 -
Disponibilidade interna (1.000 t equiv. carcaça) - 5.581 - 6.088 - 5.790 - 5.531 - 5.692 - 5.930 -
População (milhões de habitantes) - 155 - 157 - 160 - 162 - 164 - 166 -
Disponibilidade per capita (kg/hab./ano) - 36 - 39 - 36 - 34 - 35 - 36 -
FONTE: Conab
Preços em alta ao produtor
Nesta semana o preço do boi gordo oscilou entre R$40 e R$ 41 por arroba nas principais praças de comercialização do Estado, atingindo um recorde desde o lançamento da nova moeda em julho de 1994.
O ritmo das exportações e a taxa de câmbio contribuem para a alta dos preços, mas as condições desfavoráveis das pastagens (em função das geadas de julho) justificam a atual elevação das cotações.
Neste momento a decisão de venda é mais técnica do que econômica. Provavelmente, os preços do boi gordo devem seguir em alta ainda nos próximos meses, mas para a decisão de venda deve-se considerar no momento o potencial de ganho de peso dos animais na propriedade.
Prof. José Roberto Canziani - Universidade Federal do Paraná
e-mail: [email protected]
T R I G O
GAÚCHOS SE INTERESSAM PELOS CONTRATOS DE OPÇÃO DE TRIGO
Desde meados de abril o Governo vem ofertando contratos de opção de venda de trigo, praticamente a cada semana. Entre abril e final de maio foram ofertados contratos para os produtores do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Neste período, os contratos tinham vencimento em 15 de setembro, com prazo de pagamento, pela Conab, de 1º a 15 de outubro. O preço de exercício destes contratos era de R$213,00 por tonelada (R$12,78/saca). Pela primeira vez os contratos de opção foram negociados durante o período de plantio, permitindo ao produtor um preço de garantia para o período de colheita.
Foram realizados 7 leilões entre 18 de abril e 30 de maio nos quais foram ofertados um total de 19.446 contratos de opção de venda (de 27 toneladas cada um). Deste total, apenas 818 contratos (4,2% do total oferecido) foram adquiridos pelos produtores e/ou cooperativas. O trigo a que se referem estes contratos é produto em grãos a granel, da safra 1999/2000, trigo Pão Melhorador/Durum, tipo 1, ph a partir de 78 e umidade máxima de 13%. Os deságios para produto de qualidade inferior são apresentados na tabela.
TABELA - PRODUTO PADRÃO E DESÁGIOS NOS CONTRATOS DE OPÇÃO DE VENDA
TABELA DE VALORES- POR CONTRATO DE 27 TONELADAS - ICMS EXCLUSO
PH MÍNIMO(+) - TIPO - BRANDO - - PÃO/MELHORADOR/DURUM
A PARTIR DE 78 - 1 - R$ 5.004,92 - R$ 5.751,00(*)
DE 75 A 77,99 - 2 - R$ 4.756,23 - R$ 5.455,68
(*) PREÇO BÁSICO DO CONTRATO
Fonte: CONAB
O preço de exercício de R$213/tonelada é superior ao preço mínimo deste ano, fixado em R$205/t para o produto de melhor qualidade (trigo pão/melhorador/durum, tipo 1). Os valores não interessaram aos produtores do Paraná que adquiriram apenas 393 contratos que vencem em meados de setembro.
A partir de junho os leilões passaram a ofertar contratos também para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O preço de exercício é o mesmo para todos mas os contratos ofertados em junho passaram a ter vencimento em outubro e os contratos ofertados a partir de julho, vencem em novembro. O maior interesse nos contratos ocorreu no Rio Grande do Sul. Todos os 7.338 contratos ofertados foram adquiridos pelos produtores gaúchos e cooperativas do Estado. Até o momento, 198 mil toneladas de trigo gaúcho estão atreladas a contratos de opção, ou cerca de 20% da produção prevista para o Estado este ano.
Até no leilão deste mês de agosto, depois da quebra da safra do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, todos os contratos ofertados ao Rio Grande foram negociados. A única razão para se comprar estes contratos agora é o temor de que os preços de mercado estejam abaixo do preço de exercício das opções. No caso dos produtores gaúchos, a compra de opções tem lógica pois o preço de mercado no Estado esta semana (ainda longe da colheita) foi de R$13,15/sc ou R$219,17/tonelada, apenas 2,9% acima do preço de exercício da opção.
Francisco Guimarães
E-mail: [email protected]
A L G O D Ã O
GOVERNO RECOMPRA CONTRATOS DE OPÇÃO
Os leilões de PEP de algodão com destino pré-definido, ou seja, regiões norte, nordeste ou empresa exportadora como um dos destinos de regiões sul, sudeste e centro-oeste como outro destino não devem continuar.
No lugar destes leilões o Governo realiza leilão de recompra dos contratos de opção de venda adquiridos pelos produtores e/ou cooperativas nos leilões realizados entre 18 de abril e 6 de junho. No total foram realizados 6 leilões de contratos de opção nos quais foram ofertados um total de 2.483 contratos (de 27 toneladas cada) e todos foram adquiridos.
Comparado aos outros produtos, percebe-se que foram realizados poucos leilões e interrompidos apesar do grande interesse dos produtores, já que todos os contratos foram comprados. No ano passado, o Governo vendeu 6.092 contratos de opção de algodão (27 t), 76% a mais do que este ano, mas mesmo assim interrompeu os leilões enquanto ainda havia interesse, o que parece um contra-senso.
Os contratos de opção de algodão começaram a vencer esta semana e, imediatamente o Governo providenciou a realização de leilões de recompra destes contratos. A grosso modo, o objetivo destes leilões é pagar aos produtores que compraram os contratos, um valor suficiente para que os produtores devolvam o contrato ao Governo e vendam o produto no mercado. Para isso, este ‘‘prêmio’’ a ser pago aos proprietários dos contratos tem que, no mínimo, igualar a diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado.
O preço de exercício das opções é de R$32,62/arroba com prazo de pagamento de cerca de 30 dias, o que dá um preço à vista de R$32,23/arroba. O preço médio de mercado esta semana, segundo o indicador do algodão Esalq/BMF está em torno de R$29,40/arroba, também valor à vista. Portanto, exercer a opção seria o melhor negócio, obtendo um preço 9,6% acima do preço de mercado.
Com base nestes valores, o prêmio (subsídio na verdade) mínimo que os produtores vão aceitar do Governo para não exercer as opções é de R$2,83/arroba, que é a diferença entre o preço de mercado e o preço de exercício da opção. Bom para quem resolveu comprar os contratos este ano.

Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
F E I J Ã O
ÁREA PLANTADA DEVE REDUZIR
Todos os fatores este ano estão apontando para redução na área plantada com feijão das águas. Atuam neste sentido os fracos resultados obtidos com a cultura no ano safra 99/00, as perdas por intempérie e os baixos preços.
A área cultivada com feijão das águas no Paraná nos últimos 4 anos não chegou nem a 490 mil hectares, redução de 35% em relação à área média cultivada no Estado na década de 80. A produtividade média no Estado nas últimas 4 safras é de sofríveis 35 sacas por alqueire, enquanto em áreas de produção de feijão irrigado, espalhadas pelo País, a produtividade ultrapassa 82 sacas por alqueire.
O Paraná sempre foi o maior produtor nacional de feijão das águas, responsável por mais de 35% da produção brasileira de primeira safra na maioria dos anos. Agora na safra 99/00 perdeu a posição para a Bahia por uma diferença pequena, mas que pode se ampliar com o tempo.
Em termos de preços este ano foi outra decepção. De fevereiro a junho o preço médio do feijão preto ao produtor paranaense foi, em média, 33% inferior ao preço médio dos últimos 5 anos para o mesmo período. Em julho e agora em agosto os preços ainda ficaram abaixo da média mas numa proporção um pouco menor, de 23%.
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Para o feijão de cor, a situação não é muito diferente. Entre fevereiro e junho os preços deste ano foram, em média, 32% inferiores ao preço médio dos últimos 5 anos para o mesmo período. Em julho a situação melhorou um pouco mas os preços ainda estiveram abaixo da média, numa proporção de 8,6%. Só agora em agosto os preços estão superando a média em 14,7%.
Os números para o plantio da safra das águas devem sair na próxima semana mas o Deral já identificou um atraso no plantio de feijão nas regiões que iniciaram as operações (Sudoeste e Norte). As baixas temperaturas ajudam neste atraso.
Francisco Guimarães
E-mail: [email protected]

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