Ainda é cedo para previsões mas, este ano, as exportações da carne brasileira deverão, mais uma vez, responder pela sustentação do setor, que continua à mercê de um fraco consumo no mercado interno.
Embora o Brasil negocie apenas 20% de sua produção anual para outros países 80% fica no mercado interno, o interesse do mercado internacional pelo produto brasileiro tem evitado quedas drásticas no valor da arroba do boi dentro do País. A informação é do analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria.
O aumento na pauta de exportação do Brasil, agora também com o interesse do Uruguai em comprar a carne brasileira, especialmente a in natura, que é mais cara, assim como tem feito o Chile, é mais uma promessa para equilibar o setor. A carne brasileira é mais barata, entre 25% a 30%, do que a uruguaia.
Segundo Fabiano Rosa, o interesse do Uruguai se explica pela prioridade que aquele país deu em exportar sua produção. ''A atitude valorizou demais o produto uruguaio em seu mercado interno, tornando a carne cara e de baixo consumo.''
No Brasil não existe este risco, garante o analista. O País tem potencial para atender ao mercado mundial sem que isso influencie negativamente o abastecimento interno.
As exportações, ''que têm dado uma boa mão para o setor'', já no mercado interno, avalia Rosa, não conseguem promover uma reação maior nos preços pagos os produtores.
Do começo do mês até hoje o equivalente físico do boi no atacado paulista (balizador de mercado), despencou 8%. ''A queda é resultado do fraco consumo da proteína. A carne teve maior queda que o boi gordo, que também registrou redução de 2,5% no valor de negócios,'' informa o analista.
O valor da arroba, de acordo com Rosa, só não caiu mais porque a oferta recuou. ''Quem pôde e tinha pasto preferiu segurar os animais, na tentativa de reação de preços no final do mês, quando são pagos os salários e o consumo tende a aumentar.''
Não se discute que a exportação deve melhorar em 2004 e que isso deverá ajudar para que o mercado interno não piore, avalia. A exportação ajuda a segurar o preço mas, para acontecer a valorização do boi e o mercado reagir, é preciso mesmo aumento do consumo interno que, por sua vez, depende da melhoria do poder aquisitivo da população.
Segundo dados da Scot, em 2003 o Brasil exportou 1,260 milhão de toneladas de equivalente carcaça, com faturamento de US$ 1,5 bilhão. Melhorou em 31% o volume e em 40% em faturamento em relação a 2002. ''Agora é preciso trabalhar o marketing para valorizar ainda mais o produto brasileiro. Os Estados Unidos, que exportaram menos que o Brasil em 2003, tiveram, no entanto, um faturamento maior: US$ 3,5 bilhões,'' diz Fabiano Rosa.
Se 2003 foi um ano bom para o Brasil no mercado externo, já no interno o setor não atingiu o esperado. Havia expectativa, por exemplo, que a arroba chegasse aos R$ 70, o que não aconteceu em função de consumo interno. A estimativa é que houve recuo entre 1kg a 1,5kg per capita. Em 2002 o consumo ficou em 37kg/per capita. A redução é reflexo da situação economômica do País. Analistas estão na expectativa, sempre otimista, do milagre do crescimento que tem sido prometido pelo governo Lula.
Mesmo não tendo atingido o esperado o mercado interno também não sofreu grandes quedas no valor da arroba. A cotação, na média, ficou firme em valores reais o ano todo. ''O boi gordo não teve aumento, mas também não teve queda,'' afirma Fabiano Rosa. Dependendo do caso se trabalhou com custos de R$ 45 a R$ 58.

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