Aproximadamente 20 mil famílias de produtores da região Centro-Oeste do Paraná poderão participar como micro, pequenos e médios fornecedores de ervas medicinais para a China, exportando produtos in natura, ervas em cápsula ou extrato líquido.
Protocolo de intenções que formaliza através de convênios específicos, um intercâmbio técnico, científico e comercial, entre os municípios da região e a província de Guangdong (República Popular da China) foi assinado no início deste mês, entre a prefeitura de Guarapuava, prefeitura de Santa Maria do Oeste, prefeitura de Palmital, comitiva chinesa e a empresa que já explora a atividade na região.
RentabilidadeSegundo o empresário do grupo Hierba Salud Indústria e Comércio de Ervas Naturais, pesquisador Walter Omar Rodrigues, a rentabilidade é ótima para os micros e pequenos produtores, que poderão participar com uma produção fixa e renda de R$300 mensais. ‘‘Os demais deverão ter um percentual na divisão da venda por toneladas’’, comenta Rodrigues.
A previsão de comercialização, segundo ele, é de cerca de R$80 a R$90 milhões/ano com a remessa de 90 toneladas/ano para a China. A empresa já conta com 1.200 produtores de ervas medicinais na região, o que significa 5% da produção nacional. ‘‘Observamos na China, que o consumo de ervas medicinais representa um grande epotencial de comercialização. Este país, que conta com uma população de mais de um bilhão de habitantes é devotada ao tratamento preventivo e curativo através das ervas medicinais’’, afirma Rodrigues.
Segundo declarações do representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Roberto Correia, o projeto a ser implantado permitirá o início de uma verdadeira revolução econômica no Paraná.
PesquisaO início das pesquisas científicas sobre as ervas medicinais brasileiras será dado pelos cientistas chineses, que virão ao País para conhecer a produção nacional, desde seu plantio. ‘‘Pretende-se instituir um Centro Científico, com o intuito de desenvolver pesquisas, experimentação, treinamento e difusão do uso de plantas medicinais nos municípios da região de abrangência de Guarapuava, contando com a participação de técnicos cedidos pela Província de Guangdong, para formar um Grupo Técnico Brasileiro, responsável pela difusão de técnicas da Medicina Tradicional da China, no Paranᒒ, afirmou o pesquisador Walter Rodrigues.
A República Popular da China, através de seus representantes, receberá três técnicos brasileiros num futuro próximo, a ser definido pelas partes, que possuam conhecimentos nas áreas de uso de plantas medicinais, plantio, instalações fiscais e equipamentos utilizados para este fim.
Para a pesquisadora da Hierba Salud, Rita de Cássia Bardelli, esta é a primeira vez que técnicos da China vêm para acompanhar a produção, industrialização e comercialização das ervas medicinais. ‘‘Esse projeto é importante também na área social, já que vai estimular a produção de ervas pelas 20 mil famílias de produtores e vai acabar com o extrativismo predatório, sem a inteção de preservar a espécie’’, afirma a pesquisadora. ‘‘O conhecimento e uso de ervas medicinais pelos chineses é milenar e hoje cerca de 8% da população mundial recorre ao uso de extratos de plantas ou seus derivados para satisfazer suas necessidades básicas de saúde’’, completa.
A princípio, o início das pesquisas científicas e o curso de especialização para técnicos brasileiros funcionará utilizando a infra-estrutura do Centro de Desenvolvimento Tecnológico de Guarapuava (Cedeteg), que já oferece os cursos de Agronomia e Medicina Veterinária.
TrabalhoJá foi elaborado um mapa de cobertura vegetal e de solos da região de Guarapuava, com a seleção das comunidades, de acordo com os seguintes critérios: áreas com maior cobertura de remanescentes (envolvendo áreas de reserva indígena, de proteção ambiental e demais propriedades rurais), comunidades em que a Emater já atua em programas específicos e onde já existem iniciativas de organização da produção e comercialização, experiências de trabalho comunitário, bem como escolas e postos de saúde.
Os representantes da República Popular de China ficaram satisfeitos de saber que já existem estes levantamentos etnobotânicos, estudos fitoquímicos, definição de unidades experimentais nas propriedades, levantamento de solos e fitossociológico, assim como identificação de áreas de fontes de sementes e mudas.
A comercialização inicial será de 60 produtos naturais, de ervas bastante conhecidas e produzidas na região, entre as quais: dente-de-leão, erva cidreira, funcho, melissa, calêndula, gengibre, guaco, hortelã, losna, malva, majerona, marcela, orégano, pata de vaca, sabugueiro, salsa parrilha, tomilho, alfavaca. arruda, avenca, entre outras.

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