Exportação cresce forte no Paraná
O Paraná apresentou números bastantes significativos em relação à exportação de carne bovina em 2014, o que anima o setor para este ano. É claro que comparado, por exemplo, aos volumes estratosféricos de comercialização do setor avícola, os valores parecem pequenos, mas a pecuária mostrou uma aproximação da carne suína no que diz repeito às vendas para o exterior.
De acordo com os números do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Estado exportou 29,3 mil toneladas em 2014, alta de 33% em comparação às 22,1 mil toneladas do ano anterior. No que diz respeito à volume financeiro, o salto foi de US$ 74,5 milhões para US$ 110,6 milhões, alta de 48,4%, impactada pelos altos valores da arroba. Só como análise comparativa, o setor de carne suína paranaense exportou algo em torno de 40,9 mil toneladas, o que totalizou US$ 120 milhões.
Para o médico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Fábio Mezzadri, a reabertura do mercado russo no ano passado fez toda a diferença para tais ganhos de volume e valores no Paraná. "Outro ponto importante, foi a valorização do dólar frente ao real, impulsionando as vendas para fora do País", relata ele.
Apesar da oferta mais restrita, Mezzadri acredita que a produtividade do Paraná foi interessante. Os números do Deral ainda não estão fechados, mas ele acredita que 2014 ultrapasse a marca de 1,42 milhão de cabeças abatidas em 2013, o que gerou em torno de 333,8 mil toneladas. "Até setembro, já eram mais de um milhão (de cabeças abatidas). Na minha concepção, a menor oferta de animais não atrapalhou os ganhos percentuais."
Só no segundo semestre do ano passado, entre junho e dezembro, a alta da arroba foi de 18,2%, atingindo a casa dos R$ 138 no Estado. Quando analisadas as médias de 2013 e 2014, o salto é ainda mais impressionante: de R$ 99,6 para R$ 121,8, elevação de 21,8%. "A valorização da arroba é algo que está diretamente envolvido com a diminuição da oferta de rebanho e matrizes, que acontece no Estado há pelo menos dez anos. O Paraná abateu mais animais, mas a oferta restrita fez com que os frigoríficos valorizassem o produto", complementa o técnico do Deral.
Para o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) e também do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, a habilitação de exportação para a Rússia de dois frigoríficos paranaenses - o Astra, de Cruzeiro do Oeste, e VPS, de Colorado foi fundamental para o incremento das vendas ao exterior. "Para 2015, esperamos que o câmbio continue favorável às exportações e o sistema de defesa sanitária permaneça razoavelmente bem atendido. O que falta mesmo é matéria-prima para alimentarmos o mercado. Esperamos também que a economia se recupere e aqueça nosso setor", relata Salazar. (V.L.)





