No início, algodão e café. Hoje, cereais, frutas e legumes diversos. A base da economia do município de Assaí (36 km a leste de Londrina) sempre foi a agricultura, levada adiante principalmente pela comunidade japonesa, que colonizou a região em meados da década de 1930.
Naquela época, a terra foi estruturada pela companhia colonizadora em 13 seções rurais. O objetivo era aprimorar a educação das crianças e mantê-las sempre em contato com a tradição oriental. A cada seção foram destinados 1,2 mil alqueires, divididos entre cerca de 200 famílias. ''A seção Peroba, da qual faço parte, costumava abrigar 70 famílias. Hoje restaram apenas oito'', relembra o produtor rural japonês Yaoki Shimizu, que chegou ao Brasil com quatro anos e hoje está com 74.
Na seção Cebolão, para onde o agricultor Takashi Miwa se transferiu com os pais aos nove anos, trabalhavam 60 colonos. Atualmente, apenas cinco permanecem nas terras, produzindo basicamente cereais e frutas.
Os colonos tiravam sustento da lavoura de algodão e do café. Entre os pés de café e algodão, os produtores também plantavam feijão. Além de servir de alimento para as famílias, o grão era comercializado para custear as demais plantações.
O Secretário da Agricultura de Assaí, Luiz Minoru Shirai, conta que em 1935, os produtores se uniram em uma associação para discutir políticas agrícolas e buscar soluções para as dificuldades comuns. Os mesmos agricultores organizaram, então, a primeira exposição agrícola da região, realizada na Escola Assahiland. O evento contou com 217 expositores, todos de origem japonesa.
No ano seguinte, a crise que assolava o setor agrícola brasileiro impediu a realização da segunda edição da exposição, que foi retomada em 1937. O produtor Takashi Miwa recorda que entre os anos de 1942 e 1949, a exposição precisou ser extinta em decorrência da Segunda Guerra Mundial. ''Naqueles anos era proibida qualquer manifestação da cultura japonesa no País'', lamenta.
Em 1949, a associação de produtores rurais, batizada de Lengou Nipondim Kai, retomou suas atividades, organizando mais uma exposição rural. No ano seguinte, na Igreja Budista do município, todas as seções produtivas expuseram cerca de 2 mil amostras de produtos rurais da região.
Segundo Shirai, a década de 1950 foi a época de maior expansão das manifestações culturais japonesas e, consequentemente, de maior crescimento da produção rural regional. ''Devido a tamanha participação dos agricultores na exposição agrícola e com a realização de outras atividades ligadas à cultura oriental, a Igreja Budista já não oferecia mais condições físicas. Foi quando iniciou-se a construção do Auditório Doobo'', conta. Hoje, o auditório é atual sede da Liga das Associações Culturais de Assaí (Laca), criada em 1968.
Na década de 1960, o agricultor e pesquisador Massao Aoto, residente na seção Palmital, introduziu o cultivo de frutas na região. Entre as novas culturas destacaram-se uva itália, kiri, castanha de pekan, nozes e macadâmia. ''Mas mesmo com a diversificação, o município ainda sustentava o título de 'Capital Mundial do Algodão''', assinala Shirai.
Foi na década seguinte que o cultivo de soja e trigo foi introduzido como alternativa para os produtores. ''Em 1975, a geada comprometeu o desenvolvimento dos cafezais, que precisaram ser erradicados'', aponta Shirai. Ele ressalta que o algodão sempre fez parte da agricultura local. Somente no início dos anos 1990 a cultura perdeu sua importância econômica, com o surgimento do bicudo. ''Em consequência, nas exposições agrícolas de 1995 e 1996 não foi exposta sequer uma amostra de algodão'', finaliza o secretário.

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