Expo Cornélio mostra precoces
Cláudia Barberato
De Londrina
A 2ª Exposição Feira Agropecuária e Industrial da Região de Cornélio Procópio (PR) - 2ª Exfecop, começou no dia 5 e vai até amanhã, 15. A exposição mostra que a região não deixa nada a desejar com relação aos principais centros criatórios do País. A afirmação é do veterinário Mário Ribeiro Jr, da Sociedade Rural de Cornélio Procópio.
Segundo Ribeiro, apesar da região ser nova em matéria de exposições, os criadores já desenvolvem há muito tempo um trabalho de melhoramento genético. Técnicas como inseminação artificial e transferência de embriões são rotineiras. Todo o rebanho que está sendo exposto mostra as características do gado de corte moderno.
Com a reforma das instalações, o parque de exposições de Cornélio Procópio, localizado no km 83 da BR-369, segundo Ribeiro, é mais uma praça de compra e venda de gado para cria e recria do Norte do Paraná. Ao todo estão expostos no parque 660 animais, de várias raças bovinas, entre elas nelore, simental, limousin, marchigiana, charolês, holandês e pardo suíço.
Animais precocesDe olho nesse mercado potencial, criadores da raça marchigiana, estão expondo na feira 100 animais puros, de criatórios de São Paulo e Paraná, que estão sendo avaliados por Roberto Vilhena, juiz oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Marchigiana (ABCM).
Segundo a pecuarista Regina Marchesi, de Fátima do Sul (PR), do Núcleo Paranaense da ABCM, a exemplo do frango, que hoje é feito para a comercialização em 45 dias, e no passado era necessário mais de um ano para sua produção, a pecuária também está fabricando seus bois com maior rapidez.
Os 48 meses que o criador esperava para engordar o animal, foram reduzidos para 16, quando o boi já atinge, em média, 18,8 arrobas, pronto para o abate. Este é o resultado mostrado pelos novilhos precoces, produto do cruzamento de touros puros marchigiana, com vacas zebuínas. Outras raças bovinas também consegue resultado semelhante no cruzamento com o nelore, base do rebanho nacional.
Os animais mestiços, segundo a criadora, têm mostrado excepcional precocidade em ganho de peso e acabamento de carcaça. Além disso, por seu alto valor agregado, abrem uma nova perspectiva de renda aos pequenos e médios pecuaristas, que não dispõem de espaço para a instalação de um empreendimento pecuário.
Boa genéticaA principal ferramenta usada para acelerar o giro do capital, com maior volume de carne produzida, avalia Regina, é a genética. A raça marchigiana, segundo a criadora, mesmo sendo de origem italiana, adaptou-se perfeitamente às condições tropicais. Com pêlos brancos, pele e mucosas pretas e maior número de glândulas sudoríparas, os animais atingiram um alto grau de rusticidade. Aliando fertilidade, rusticidade e precocidade, chegou-se a uma raça tecnicamente avançada.
O plantel, com 26 mil animais puros registrados, e mais de 200 mil cabeças de cruzados em todo o País, está concentrado atualmente em São Paulo, Paraná e se expandindo para várias regiões do território nacional.
Os animais se adaptam bem em climas quentes e frios. Este rebanho é rigorosamente acompanhado por institutos de pesquisa como a Universidade de São Paulo (USP), Instituito de Zootecnia (IZ), e outras entidades correlatas nacionais e internacionais, garante a criadora. Todas as qualidades apontadas, de acordo com Regina, constam de registros técnicos e estão a disposição dos interessados na ABCM.
Regina disse, também, que os criadores estão obtendo maior rentabilidade com a novilha mestiça; quando abatida na época adequada, tem uma qualidade de carcaça tão boa quanto a do macho. Melhor cotadas comercialmente, dão um rendimento extra de 15% ao pecuarista. O animal precoce tem um bom volume de carne de qualidade, macia e com teor de gordura equilibrado.





