A colheita do trigo já começou na Fazenda Santa Cândida, em Cambé, norte do Estado. O otimismo do produtor Odair Favali quanto à produtividade é grande, mas quando o assunto é comercialização, a história é outra. ‘‘Nos meus 30 anos como produtor não me lembro de ter visto tanto desânimo no setor’’, confessa ele.
  Ele reclama que na agricultura, principalmente quando se trata de trigo, a preocupação com a liquidez da safra é muito grande. ‘‘O produtor fica dividido, preocupado, não sabe o quanto investe porque depois tem medo de não conseguir vender o produto e arcar com as dívidas’’, acrescenta Favali, frisando que para ele, que já bateu o recorde de produtividade em 2002, está cada vez mais difícil plantar trigo.
  Este ano, conta ele, a previsão é colher pouco mais de 45 sacas por hectare. ‘‘É uma produtividade boa, mas normalmente a média é de 55 sacas’’, destaca o produtor, frisando que a queda se deve principalmente à redução de aplicação de insumos, para não onerar a produção. Mas se comparado com o ano passado, quando colheu cerca de 30 sacas por hectare, a previsão é bastante positiva. Favali, contudo, chegou a produzir 120 sacas de trigo por hectare em 2002, quando bateu recorde nacional.
  ‘‘A gente queria mostrar que o Brasil tinha capacidade de produzir trigo em grande quantidade e de excelente qualidade. Conseguimos’’, comemora Favali. Na época, relembra, foram feitos altos investimentos, inclusive com a compra de insumos. Mas agora, segundo ele, não é possível arriscar desse jeito, pois os riscos são altíssimos. E reclama: ‘‘essa decisão do governo, por exemplo, de reduzir o preço mínimo do trigo foi um desaforo’’.
  Na Fazenda Santa Candida, com 600 hectares, em apenas 100 deles foram plantados trigo. No restante, há milho e cana. Mas em outra área de 1 mil hectares, também na região de Cambé, Favali plantou trigo. Ao todo, este ano, por conta do cenário pouco atraente para a cultura, o produtor reduziu a área plantada de trigo em 300 hectares.(E.Z.)

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