O produtor José Luiz Babujia estima produtividade de 180 sacas por alqueire (4,4 mil kg/ha): "É dentro do esperado pela tecnologia que usamos, que é para colher daí para mais"
O produtor José Luiz Babujia estima produtividade de 180 sacas por alqueire (4,4 mil kg/ha): "É dentro do esperado pela tecnologia que usamos, que é para colher daí para mais" | Foto: Sérgio Ranalli



Com diferença de menos de 50 quilômetros, há agricultores de cidades na região de Londrina que aguardam a soja ficar pronta para a colheita, enquanto outros já contabilizam metade da área coberta. No entanto, a diferença diminui quando se fala na expectativa de produtividade para a safra 2016/17, que chega a ser de até 4,4 mil quilos por hectare (kg/ha) e a representar até 50% a mais em volume frente o ciclo anterior.

O produtor José Luiz Babujia afirma que chegou a fechar um talhão com 198 sacas por alqueire, o equivalente a 4,9 mil kg/ha. Porém, a média dos 180 alqueires da Fazenda Santo Antônio, entre Ibiporã e Sertanópolis, deve ficar em 180 sacas, ou 4,4 mil kg/ha. "É dentro do esperado pela tecnologia que usamos, que é para colher daí para mais", afirma Babujia.

O custo da propriedade está em torno de 70 sacas por alqueire, o que deve representar 110 de receita líquida. O agricultor considera o gasto alto, mas diz que é necessário para dar o retorno esperado. Não foi assim na safra anterior, porém. "No ano passado estava boa a colheita de soja, dando 160 sacas. Depois, deu aquela chuva e acabei fechando em 120, na média", cita Babujia.

Ele conta que compra sementes de alta germinação, acima de 90%. Para o tratamento do solo, ele afirma que usa um subsolador que cava e mexe a palhada do milho, mas não mexe a terra. É feito um leve nivelamento na sequência, com adição de calcário, gesso e esterco de galinha, além do adubo na linha e de fungicidas para as plantas. São três variedades de soja, uma de ciclo curto e duas normais. O agricultor ainda planta o milho de segunda safra na sequência da colheita, do qual reclama do preço da semente.

Com atraso
O momento é bastante distinto para o agricultor Mylton Casaroli, da Fazenda São José, de 120 alqueires, no distrito londrinense de São Luiz. A expectativa dele era de começar a colheita de soja na última quarta-feira, dia 1º. "Plantei mais tarde neste ano porque o milho safrinha me atrasou. Como deu aquela geada e tive de esperar a seguradora, atrasei", diz.

Casaroli também semeia três variedades de soja para organizar a colheita. Ele lembra que a chuva na região também foi localizada e somente conseguiu plantar entre 15 e 18 de outubro, ao menos 15 dias depois do programado. Mesmo assim, pelo o que tem ouvido de vizinhos, a expectativa dele é de colher cerca de 150 sacas por alqueire, ou 3,7 mil kg/ha. "A vantagem é que será um ano de pouco gasto, porque o frio fez com que eu não tivesse problema com lagarta e percevejo, então vai ser um ano de boa rentabilidade, porque meu custo com plantio foi baixo", cita Casaroli.

Outra questão para esta safra é que não produzirá milho de segunda safra ou trigo neste ano, já que está com a janela de plantio mais apertada. "Os preços do milho e do trigo também estão muito ruins, então prefiro fazer adubação verde porque é preciso cuidar da terra. Assim, a produtividade no próximo ano vai ser muito melhor", diz.

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