Expectativa de mais volume, antes de melhores preços
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sábado, 30 de março de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

Duas entidades fortes do agro paranaense tomaram partido e encabeçaram o processo do Estado se tornar área livre de febre aftosa sem vacinação. A Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e a Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) realizaram estudos, se aprofundaram no assunto e, assim, foram peça fundamental para que todo o processo ganhasse velocidade, afinal, a data inicial prevista para o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa, conduzida pelo Mapa, era 2023.
No ano passado, nas auditorias feitas pelo Mapa (Ministério da Agricultura) – de acordo com a Faep – o Estado superou a pontuação necessária em 48% dos quesitos, alcançou o número necessário em 35% dos casos e em apenas 16% ficou abaixo da pontuação. Nesse último caso foi gerado um plano de ação com nove itens, dos quais sete estão em implantação pela Adapar (Agência de Defesa Agropecuária) e os outros dois em processo de finalização, que é o caso da contratação de fiscais para garantir o funcionamento pleno das barreiras sanitárias e a construção do posto de fiscalização sanitária em Campina Grande do Sul (região metropolitana de Curitiba).
“Há mais de 40 anos que o Paraná busca o fim da vacinação contra a febre aftosa, trata-se de um processo longo, que envolveu o compromisso dos setores público e privado para que todo o Estado saísse ganhando. A certificação pela OIE será o coroamento de todo esse esforço”, ressalta o presidente da Faep, Ágide Meneguette.
O gerente de desenvolvimento técnico da Ocepar, Flávio Turra, relata que dentro do sistema cooperativista estadual são nove unidades produtivas de aves, suínos e peixes, além de cinco de carne bovina, focadas em carne de qualidade. “Foram feitos muitos investimentos, inclusive as próprias cooperativas apoiaram a construção de barreiras, postos de fiscalização. Hoje temos uma estrutura melhor do que a de Santa Catarina que, dentro da avaliação do Mapa, já é reconhecida como área livre de febre aftosa sem vacinação há pelo menos dez anos.”
Turra, como os representantes das demais entidades, também bate na tecla da expectativa de abertura de novos mercados. Para ele, o novo status sanitário do Estado, mesmo que seja para proteínas que não possuem problemas com a aftosa, vai acabar abrindo fronteiras de países mais exigentes, como Japão, México e EUA. “Hoje não estamos nem pensando em melhor remuneração, mas sim em novos mercados. A expectativa de aumento de quantidade e assim mais produtores produzindo, por exemplo, frangos e suínos. Teríamos mercado lá fora absorvendo essa produção. O que é mais compatível que um maior volume pressionando o mercado interno e os preços da carne caindo.” (V.L.)


