O mercado de venda de animais em leilões retomado a partir de janeiro, depois de um recesso para as festas de fim de ano, deverá ficar mais aquecido a partir de março quando começam as feiras agropecuárias no Paraná e em todo o País. A perspectiva do Brasil em aumentar as exportações de carne e aumentar o consumo no mercado interno, segundo os dirigentes de algumas leiloeiras instaladas no Estado, deverão influenciar a venda de animais durante o ano.
‘‘O pecuarista está à procura de genética e tecnologias para melhorar sua produtividade e o leilão é um ponto seguro de referência,’’ garante Paulo Horto, diretor da Programa Leilões, de Londrina, e a Remate, de São Paulo.
Circuito de vendas No Paraná esse circuito de vendas em feiras agropecuárias começa por Paranavaí, depois Umuarama, no Noroeste do Estado, e chega a Londrina, no Norte, onde a expectativa é conseguir sempre uma maior valorização dos animais ofertados. Até porque a exposição realizada em abril tem oferta variada, desde gado de corte até a mais pura genética e a oferta semanal geralmente reúne animais para reposição.
‘‘Londrina é uma vitrine de genética e por isso os leilões daqui são bastante visados. Um dos reflexos disso é que antes da exposição de Londrina a oferta de animais nos leilões semanais se mostra até um pouco reduzida; fica todo mundo guardando os melhores para vender aqui,’’ explica Elton Baccarin, da Rural Business Leilões, de Londrina.
Durante o ano, fora dos períodos de feiras agropecuárias, as leiloeiras em conjunto com criadores ou associações realizam vendas específicas de animais de várias categorias, de acordo com a região onde são realizadas as vendas, época do ano, clima e a demanda dos compradores.
O diretor da Porto Ubá Leilões, de Lidianópolis (130 km ao sul de Apucarana) Eliseu Ravelli acredita que embora não exista um calendário padronizado de maior interesse ou oferta mês a mês, sabe-se por exemplo que a partir de março concentra-se uma oferta maior de bezerros e com isso os leilões são direcionados para ofertar o tipo de animal que cada pecuarista procura. ‘‘Hoje a oferta de animais está mais democrática. Nos leilões, tanto o pequeno, grande ou o médio pecuarista pode obter animais de qualidade durante os remates de acordo com a realidade de cada um,’’ completa Paulo Horto.
Interesse maior O fim da especulação financeira na década de 90 e o episódio da vaca louca em 2000, serviram para impulsionar o interesse pela rentabilidade que a pecuária pode oferecer ao ano e forçaram uma posição profissional por parte dos pecuaristas.
Com isso houve crescimento na oferta semanal de animais e um ponto alto durante as feiras agropecuárias. ‘‘Só em Londrina esse ano a oferta de animais nos leilões da exposição (que será realizada de 4 a 14 de abril) está estimada em 10 a 12 mil animais’’, aposta Paulo Horto.
O crescimento na oferta de animais em leilões, segundo Gilberto Galbiatti, da J.L.Leilões, de Nova Esperança (35 km a noroeste de Maringá), se deu porque o pecuarista tem uma opção mais segura para investir em animais não só para cria, recria e engorda mas também de genética superior para aprimorar seu plantel. Vendedores e compradores de leilões têm cadastros junto às leiloeiras o que garante a idoneidade dos negócios.
Mudança de perfil Segundo Ademir Teixeira, da Leiloingá Leilões, de Maringá, os pecuaristas estão adotando cada vez mais uma posição gerencial na atividade, preparando alimentos para o inverno, fazendo reservas de pasto, entre outros manejos para manter a produtividade. Ele e outros diretores de empresas leiloeiras como Paulo Horto, Eliseu Ravelli destacam que nos últimos anos tem aumentando muito a participação de ‘‘novos’’ investidores nos leilões. ‘‘São profissionais de outras áreas, ou mesmo agricultores, que estão apostando na rentabilidade da pecuária,’’ acredita Ademir Teixeira, da Leiloingá Leilões, de Maringá.
De acordo com Eliseu Ravelli um dos reflexos é o aumento na procura por fêmeas para formação de novos plantéis. ‘‘Há muita gente investindo na pecuária e apostando na boa rentabilidade do setor, que hoje trabalha com uma margem de até 25% ao ano.’’ Para Paulo Horto o percentual pode ser até maior: 30%. ‘‘O pecuarista que está se ajustando às novas exigências de mercado poderá ter um retorno maior. Não há mais lugar para a pecuária amadora.’’

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