Expansão mais segura no Paraná
Cristina Côrtes
Apesar de ocupar o segundo lugar na produção mundial de frutas, o Brasil não consegue entrar no mercado externo, devido à baixa qualidade de seus produtos e à falta de constância na oferta. Exportamos no ano passado apenas 117 milhões de dólares de frutas in natura, enquanto o Chile faturou 1 bilhão e meio de dólares com frutas no mesmo período, afirmou o pesquisador Mário Augusto Pinto da Cunha, da Embrapa Fruticultura Tropical, que fez palestra na Reunião Técnica de Pesquisa em Maracujazeiro, dias 8, 9 e 10 em Londrina, promovida pelo Insituto Agronômico do Paraná (Iapar).
O maracujá, umas das frutíferas importantes no Brasil, tem como principais fatores limitantes as doenças e a falta de plantas geneticamente melhoradas. No Paraná o Iapar trabalha na busca de solução para estes problemas, para garantir uma expansão mais segura dos pomares no Estado.
InvestimentoSegundo o pesquisador da Embrapa Mário Augusto, o maracujá está entre as principais frutíferas cultivadas no País, ocupando uma área de 39 mil hectares. No Brasil temos num primeiro grupo as três frutíferas mais importantes que são citrus, cajú e banana, que ocupam as maiores áreas, depois vem a seguir, num segundo grupo manga, abacaxi e maracuja.
A cultura tem atraído produtores porque absorve mão-de-obra o ano inteiro, tem ciclo curto, gera um boa renda, e os pequisadores querem torná-lo um produto cada vez mais competitivo. Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Fruticultura, Carlos Ruggiero existem mais de 500 espécies de maracaujá e nós só conhecemos duas. O potencial para crescimento e aperfeiçoamento da cultura é grande e por isso temos nos reunido com frequência. Já realizamos cinco simpósios brasileiros para discutir maracujá. comentou Ruggiero.
Vários projetos de pesquisa estão sendo coordenados pelo programa Sistema de Produção de Frutas, da Embrapa. Segundo Mário Augusto, no início deste ano foram destinados R$50 milhões ao desenvolvimento da fruticultura dentro do programa Brasil em Ação. Temos entendido que a pesquisa e desenvolvimento da fruticultura é uma vontade do presidente Fernando Henrique Cardoso, principalmente para o Nordeste, comenta o pesquisador.
ConsumoO Brasil ainda consome poucas frutas, e o hábito está mais restrito às pessoas com renda maior. Segundo informou Mário Augusto, o consumo per capita anual brasileiro é de 47 kg, enquanto na Alemanhã é 135,5 kg, Espanha, 162,2kg, Itália, 114,3kg e EUA, 70,7kg. As frutas mais consumidas no Brasil são laranja, com 12,4kg per capita; banana, 7,32kg; mamão, 3,00kg; maçã, 2,9kg; e uva, 1,4kg.
Na avaliação de Carlos Ruggiero, o consumo de frutas precisa ser incentivado através de marketing. Voce já viu alguma propaganda para o consumo de frutas? , questiona Ruggiero, que destaca também a importância de incluir o consumo de maracujá, por exemplo, dentro da medicina preventiva.
O Brasil tem importado mais frutas in natura do que tem exportado, e segundo Mário Augusto existem possibilidade de inverter esta situação. Ainda bem que a importação maior é de frutas temperadas, comenta ele. Com todo o potencial do Nordeste para a produção de frutas tropicais, o pesquisador acredita que é possível inverter esta situação. A fruticultura ainda pode trazer um ótimo retorno para o Brasil em termos de exportação.
No ParanáO Paraná tem 794 ha, envolvendo 804 produtores, com área média de aproximadamente um hectare. Segundo Neusa Stenzel, pesquisadora do Iapar e coordenadora da reunião, a cultura tem migrado para da região norte para o sudoeste e noroeste. A produção paranaense se destina ao consumo in natura por falta de indústria para o produto. O Paraná apresenta boas condições de solo e clima para o desenvolvimento da cultura, mas doenças como a bacteriose e sementes de qualidade genética inferior têm provocado flutuações na área de plantio, comenta Neusa.
A destinação das frutas em outras regiões produtoras também é o consumo in natura. Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Fruticultura, hoje 60% da produção destinam-se ao consumo de frutas frescas e 40% para a indústria. Há vinte anos a situação era invertida, com 70% destinados a indústria e apenas 30% para o consumo natural. Considera-se como mercado de fruta fresca também a comercialização da polpa congelada.
Do encontro promovido pelo Iapar participaram 65 técnicos, de 21 instituições de pesquisa de 10 Estados brasileiros. Foram apresentados 45 trabalhos de pesquisa na área de fitossanidade, nutrição e irrigação, melhoramento e biotecnologia, entre outros.Pesquisadores discutem principais fatores limitantes para o crescimento do maracujazeiro
Josué de CarvalhoMário Augusto Pinto da Cunha comentou que novos investimento este ano devem movimentar a fruticultura no paísA comercialização da fruta in natura é maior do que o produto industrializado





