Expansão das Redes esbarra em falta de profissionais
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sábado, 10 de dezembro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
''Como eu faço para incluir minha propriedade nas Redes de Referência?'' De acordo com o coordenador da mesorregião noroeste, Belmiro Ruiz Marques, a pergunta é ouvida com cada vez mais frequência pelos profissionais que atuam no projeto. ''O agricultor vê o sítio do vizinho que participa das Redes melhorando e, claro, quer o mesmo para a propriedade dele'', afirma.
O próprio nome do projeto, contudo, indica que o trabalho não foi concebido para ser executado em todas as pequenas propriedades. Mas para que o maior número possível de famílias sejam beneficiadas, o desafio das Redes é irradiar as referências geradas nos sítios assistidos. Segundo o coordenador estadual das Redes pela Emater, Diniz Dias Doliveira, a disseminação das referências acontece desde o boca-a-boca entre os agricultores, passando por seminários e dias de campo, até publicações bancadas pelo Estado.
Outro meio de irradiação das referências que tem se mostrado bem-sucedido é a chamada ''porteira aberta'', método similar àquele utilizado durante a excursão que a Folha acompanhou. Pequenas propriedades que obtiveram bons resultados ao longo do trabalho das Redes são preparadas para receber, em datas pré-agendadas, visitas de técnicos e produtores de toda a região onde estão inseridas. ''Em um ou dois dias, chegam a passar por uma propriedade até 600 produtores, que vêem de forma muito prática as ações implantadas para melhoria do sistema'', esclarece Doliveira.
O interesse de agricultores no trabalho das Redes de Referência indica que o projeto tem potencial para se expandir. Mas seu futuro é incerto. Hoje, para atender 200 propriedades - mesmo número fixado em 1998, quando o trabalho começou - as Redes já operam com um número de profissionais bem aquém do ideal. De acordo com Doliveira, existem atualmente 10,3 equivalentes/técnico atuando nas 11 regiões incluídas nas Redes. Isso significa que, embora cada região tenha um extensionista responsável, nem todos estão se dedicando exclusivamente a esse projeto.
''A gente vai levando as atividades com o pessoal disponível. Mas para dar mais consistência e mais qualidade ao trabalho das Redes, precisaríamos de mais gente'', admite o coordenador, ressaltando que existe grande interesse entre os próprios profissionais da Emater em participar do projeto.
Na parte de pesquisa, a situação é similar. O coordenador estadual das Redes pelo Iapar, Márcio Miranda, lembra que no início do projeto estavam previstos pelo menos três profissionais compondo cada equipe mesorregional (um da Emater e dois do Iapar). Trabalhando diretamente com as Redes, existem hoje apenas quatro pesquisadores, segundo Miranda. ''Acreditamos muito na proposta de integrar mais o agricultor, a extensão e a pesquisa. O problema é que hoje falta gente. Apesar disso, nunca deixamos de atender qualquer demanda'', pondera.


