Aquele comentário foi feito semana passada na Agribusiness 2000, em Arapongas, Norte do Paraná, pelo pesquisador Amélio Dall’Agnol, do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), sediado em Londrina. Ele falava sobre ‘‘O Futuro da Soja no Norte do Paraná – Realidade e Tendências’’, na Agribusiness 2000 – Feira Internacional Agroindustrial de Tecnologia em Ação, realizada no pavilhão da Expoara, e comentou que ‘‘as melhores perspectivas de expansão do produto ‘‘não estão nos três Estados do Sul’’, os tradicionais produtores do grão.
O pesquisador justificou sua previsão, afirmando que, apesar do solo do Cerrado ser menos fértil do que as terras do Sul, aquela região tem melhores condições topográficas e, principalmente, está dividida em grandes propriedades e ainda dispõe de ‘‘enorme área para expansão’’. As deficiências do solo do Cerrado são, afirmou, ‘‘facilmente corrigidas’’ e os proprietários na região são em média grandes produtores, ‘‘que utilizam avançada tecnologia’’.
A situação do Norte do Paraná ‘‘é a mesma das outras regiões do Estado e de Santa Catarina e Rio Grande do Sul’’. Dall’Agnol lembrou que Mato Grosso é o campeão de produtividade, com 3 mil quilos por hectare, enquanto o segundo, o Paraná, colhe menos de 2 mil kg/ha. ‘‘Apenas três mil produtores mato-grossenses produzem tanto quanto 250 mil gaúchos – os terceiros em produtividade’’, comentou.
Qualidade e preçosA dimensão da propriedade, entretanto, não é o fator mais importante na diferença de produtividade. Dall’Agnol disse que a economia globalizada exige produtos de qualidade e preços competitivos. ‘‘Esse binômio só é conseguido com o domínio de quatro condições: percepção para identificar as mudanças da realidade; decisão para, tendo percebido as mudanças, agir rapidamente; execução, para implantar as alterações necessárias; e avaliação, para constatar se foi correta a percepção, se foi na hora certa; se a decisão e a execução foram corretas.’’
Ele comentou ainda que os produtores de soja menos competitivos precisam criar alternativas, diversificando a produção. Para sobreviver já é necessário agregar valor, transformando ao máximo o produto. ‘‘Vender queijo ralado e ensacado é mais lucrativo do que o leite in natura’’, exemplificou.
ConcorrênciaO pesquisador disse que os pequenos e médios produtores não poderão sobreviver sem cultivar variedades especiais, ‘‘que apresentam melhores preços’’. Outras possibilidades são ‘‘o domínio da cadeia produtiva, através de cooperativas, ou a associação com outros produtores. ‘‘Há alguns anos o grande comia o pequeno. Na economia globalizada, o rápido come o lento, que está condenado ao desaparecimento’’, advertiu Dall’Agnoll.
O produtor de hoje tem que ser profissional da agricultura. ‘‘A competição internacional não deixa espaço para amadores’’, analisou.

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