Com a demanda crescente por alimentos, o que resta para o Paraná é investir em produtividade, já que não há mais como expandir a fronteira agrícola do Estado, segundo observa o economista Pedro Loyola, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Segundo ele, muitas áreas não estão aptas para receber uma atividade agrícola, seja em função do clima ou até mesmo pela topografia.
Outra questão é a adequação ambiental, já que os produtores não devem avançar sobre áreas preservadas e precisam recuperar muitas que já foram destruídas. A solução, novamente, é investir no aumento de produção em uma mesma área, principalmente quando se fala em commodities, a exemplo da soja e do milho, produtos utilizados na alimentação de aves, suínos e bovinos.
"Não tem como sair desse setor de commodities", destaca o dirigente. Dados da Faep apontam que para a produção de um frango com 2,8 quilos (kg) são necessários 3 kg de milho. No caso de um suíno, para produzir um animal de 110 kg são necessários 165 kg de milho.
Marcelo Garrido, economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), concorda que o Paraná já atingiu o limite de sua fronteira agrícola. Ao todo, o agronegócio paranaense ocupa 7 milhões de hectares utilizados na agricultura e 5,5 milhões de hectares destinados para a pecuária.
Para aumentar a área plantada, Loyola destaca que é possível explorar melhor a safra de inverno, ciclo que quase não existe no Hemisfério Norte, como ocorre nos Estados Unidos, por exemplo, que possuem um só período de produção.
De acordo com o economista, no segundo ciclo, há muitas áreas de pousio que deveriam, com a devida orientação técnica, ser melhor exploradas. Nesse período, Loyola acredita que também há a possibilidade de elevar a produtividade de milho, considerada muito aquém do ideal.
Segundo dados do Deral, para o ciclo 2013/14, a produtividade média do grão está estimada em 5,4 mil quilos por hectare (kg/ha) em uma área plantada de 1,9 milhões de hectares, produtividade 13% maior se comparado à safra anterior. A área destinada para produção durante o inverno no Paraná é de 1,63 milhões de hectares.
No setor cooperativista, responsável pelo recolhimento de 56% da produção de grãos do Estado, a solução para elevar a produção de alimentos está no bom uso e ocupação de solo. Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), destaca que investir em sementes de maior qualidade e intensificar o uso da terra podem elevar ainda mais os índices de produtividade não só das lavouras paranaenses, mas também de todo o País.
Segundo ele, o Brasil sozinho não dará conta de atender o crescimento da população até 2050, mas dará uma grande contribuição, principalmente a região Centro-Oeste, que ainda tem espaço para o crescimento da agricultura.

Trigo
No caso do trigo, o limite da fronteira agrícola do Estado pode ser um fator preocupante. O economista da Faep elucida que no Paraná o grão já chegou ao ápice em termos de expansão de área e produtividade. Nesta safra, por exemplo, foram semeados nos campos paranaenses 1,35 milhão de hectares com o cereal, uma área 35% maior se comparado ao ciclo anterior.
A produtividade da cultura nesta safra deve ficar em 2,9 mil kg/ha, 35% superior se comparada ao ciclo 2012/13. Para Loyola, esse número não dá para melhorar muito porque a transgenia ainda não chegou a esse tipo de planta, uma vez que o cereal está ligado diretamente à alimentação humana. "O Brasil não tem competitividade em trigo", lamenta o economista. (R.M.)

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