Exercitando a rotação de culturas
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sábado, 13 de dezembro de 2014
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Estabilidade. Esta palavra define bem como será a safra de milho verão no Paraná. Com uma área 20% menor em relação à safra 2013/14, os produtores estão confiantes que os preços vão custear ao menos os gastos com a lavoura, e decidiram apostar no grão como opção para evitar pragas e doenças por meio da rotação de culturas.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), serão destinados à safra 2014/15, 535 mil hectares de milho, que devem resultar numa produção estimada de 4,6 milhões de toneladas, 16% menos que no verão passado.
Conforme a engenheira agrônoma do Deral, Juliana Yagushi, o cereal perdeu lugar para a soja, principalmente em função da liquidez da oleaginosa e seus benefícios agronômicos. "Na segunda safra, a área de milho no Estado é até três vezes maior que na primeira safra, somando cerca de 1,9 milhão de hectares", compara Juliana.
Para ela, é importante investir no milho de primeira safra com o intuito de incrementar a produtividade das lavouras seguintes, uma vez que a rotação de culturas proporciona um maior ganho por área, graças a alternância de produção.
Ela destaca que a rentabilidade da soja mostra-se mais interessante para o produtor no verão, uma vez que os preços do milho ainda estão em recuperação. Este mês, o grão tem sido comercializado, em média, a R$ 21 a saca de 60 quilos, enquanto que durante o ano já chegou a ser cotado a R$ 18, como aconteceu em julho. "O dólar valorizado ajudou a subir o preço do milho", justifica Juliana.
Em relação ao clima, a agrônoma avalia que as últimas precipitações amenizaram a seca no campo. De acordo com ela, a previsão é de boas chuvas para as próximas duas semanas no Estado. "Registramos problemas pontuais mas que não foram confirmados", diz.
Se as chuvas continuarem regulares durante toda a safra, a produtividade média das lavouras paranaenses deve ficar em 8,5 mil quilos/hectare (kg/ha), pouca coisa diferente da safra 2013/14, que registrou produtividade média de 8.187 kg/ha. Juliana lembra que apesar do aumento da área de milho no inverno, a produtividade é menor na safrinha, girando em torno de 5,5 mil kg/ha na safra 2013/14.
Praticamente a totalidade da área já foi cultivada, principalmente no Centro- Sul do Estado, onde é mais frio, uma vez que o Norte e o Oeste do Paraná, regiões mais quentes, priorizam a soja, cultura historicamente plantada no verão. Com o plantio iniciado em agosto, se estendendo até dezembro, a colheita do milho verão deve começar em fevereiro e terminar em abril de 2015.
Para Juliana, com a expectativa de uma safrinha "grandiosa", o Paraná conseguirá atender o consumo interno de milho, especialmente a produção de aves e suínos, que soma entre 9 mil e 10 mil toneladas do grão. "Mas é importante termos produção cheia nas duas safras", reforça a agrônoma, lembrando que o produtor não consegue controlar os fatores climáticos. "Pragas e doenças, além da produtividade, é possível controlar com a pesquisa."
Segundo a meteorologista Ângela Beatriz Costa, do Instituto Tecnológico Simepar, uma frente fria avança pelo litoral do Estado e deve permanecer estacionada na divisa entre São Paulo e Paraná nos próximos dias. Com isso, o clima durante a semana deve ficar estável, com a previsão de mais chuvas apenas para segunda quinzena de dezembro. Do início de dezembro até agora, calcula Ângela, foram registrados 43 milímetros (mm) de precipitações no Paraná. A média para o mês é de 201 mm. "O volume é baixo, mas esperamos que após esta trégua volte a chover no Estado."


