Exemplos da força feminina
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sexta-feira, 09 de março de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Exemplos de mulheres batalhadoras temos aos milhares em todo o Brasil. Quem sempre foi chamado (e sempre erroneamente) de ''sexo frágil'', provou que tem força para muito e em todas as áreas. E não falta disposição para enfrentar o pesado. Em Ibiporã, mais precisamente na Comunidade de Boa Esperança, um grupo de mulheres que já se ocupou do trabalho na roça, tem hoje uma rotina diária, que começa às cinco horas da manhã. O horário se asemelha ao trabalho do campo, que aliás, elas já estavam acostumadas, mas no lugar da enxada, ingredientes tirados da própria terra, que se transformam em deliciosos alimentos.
O trabalho começa quando as portas da fábrica Agro-Boa são abertas, na PR-90, saída para Sertanópolis. Dentro da antiga escola que foi toda reformada, cinco cômodos abrigam toda uma estrutura para limpeza, armazenamento de produtos e sala para cursos.
Na ampla cozinha vários e modernos equipamentos industriais como balança, mexerolas (máquina de preparar geléia), fornos, fogões, freezer e geladeira. A aquisição foi feita com recursos do Programa Paraná 12 meses, do governo estadual, que liberou verba de R$ 18 mil. O restante, R$ 15 mil, foi investido por duas trabalhadoras, que se tornaram sócias da fábrica.
Apesar da sociedade, o trabalho não acontece sem a ajuda de outras 11 mulheres que fazem parte da Associação dos Moradores e Produtores Rurais da Boa Esperança (Ampeb). É o trabalho árduo dessas mulheres que transforma farinha, ovos, leite e frutas, tudo tirado dos sítios da própria comunidade, em doces, pães, tortas, bolachas, sucos, vinhos e geléias.
O projeto foi inaugurado oficialmente na semana passada, mas começou a ser construído há cinco anos, com a formação do Grupo de Mulheres Rurais da Boa Esperança, que contou com a ajuda da Prefeitura da cidade, Emater, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Secretaria da Agricultura. ''Não foi fácil, mas começamos a fazer os produtos e com o dinheiro arrecadado, fomos incrementando a fábrica'', conta Cleci Dias Calegari, presidente da Associação e uma das sócias da fábrica.
A produção chega a 150 vidros de doces caseiros por mês, confeccionados com 13 diferentes sabores. Os pães caseiros são outra atração, preparados com mandioca, cenoura, abóbora... são 40 unidades, em apenas um dia. A fabricação de licores e vinhos caseiros também atende o gosto do freguês, com uma variedade grande de sabores. ''Os agricultores trazem produtos que são transformados. O pagamento pode ser feito à base da troca ou com dinheiro, tudo depende do acordo com o fornecedor''.
A produção começou a ser vendida de porta em porta e aos poucos foram ganhando mais espaço. Hoje, além das feirinhas de produtos caseiros em toda a região, as mulheres têm um espaço fixo na varanda da prefeitura, no centro de Ibiporã, onde expõem as delícias para quem passa pelo local, toda quinta-feira.
Mas os produtos também vão mais longe e são expostos com frequência nas feiras livres da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) de Curitiba e Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado. No dia 20 de agosto, as mulheres estarão em Brasília, para participar da Marcha das Margaridas com outras produtoras, em homenagem à lavradora que lutava pelas mulheres do campo e acabou morta por um fazendeiro. Lá, durante dois dias, também estarão ofertando toda a produção da fábrica. ''Será uma grande oportunidade de divulgar nosso trabalho'', afirma Cleci.
Em Londrina, quem quiser ter acesso às guloseimas dessas mulheres batalhadoras e incentivar ainda mais a produção e o crescimento profissional do grupo, pode visitar a Fazendinha, onde um estande será montado durante a realização da 47 Feira Agropecuária e Industrial, que vai de 5 a 15 de Abril, no Parque de Exposições Ney Braga.


