Cafeicultura paranaense volta às origens com pequenas e média propriedades para ser competitiva
O impacto do adensado logo se faz sentir, com produtividade média de 45 sacas beneficiadas (60 kg) por hectare

Widson Schwartz
Especial para Folha Rural

Passados 40 anos do auge – em 1961, quando produziu 21,4 milhões de sacas beneficiadas, a cafeicultura paranaense volta às pequenas e médias propriedades para ser novamente competitiva, graças ao plantio adensado. Repete-se, com algumas diferenças, a história dos pioneiros de Londrina, que nas propriedades pequenas (5, 10, 15 alqueires), nas quais precisavam ter o pasto, criações e culturas além das intercalares, plantavam o café em pequenas parcelas anuais, forçados pela escassez de dinheiro e a árdua tarefa de pôr abaixo a mata virgem.
Foi à base do plantio parcelado e com recursos próprios – então circunstancialmente – que o Paraná assumiu a liderança nacional nos anos 60, tratando-se, portanto, de uma ‘‘experiência que deve ser aproveitada’’, segundo os pesquisadores do Modelo Iapar de Café Adensado. O aperfeiçoamento, agora, prevê um maior uso de recursos naturais e diversificação, visando a melhor produção bianual. Se outrora o café proporcionava um emprego permanente a cada 2,35 hectares, no modelo atual pode abrir um emprego a cada hectare.
ImpactoO impacto do adensado já se faz sentir, com produtividade média de 45 sacas beneficiadas (60 kg) por hectare em comparação à média de 15 das lavouras convencionais, segundo o acompanhamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura. Dos 144 mil hectares de lavouras em produção no Estado, 29 mil hectares aproximadamente têm plantio adensado, 8 mil a 12 mil plantas por hectare.
Baseou-se a colonização do Norte Novo na venda de pequenos lotes, provavelmente para contornar as crises internas e na Europa, agravadas pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929. O próprio café brasileiro estava em baixa, devido também à superprodução. Então, a colonizadora visou às pequenas economias de europeus que precisam emigrar e de colonos em fazendas do Estado de São Paulo.
Desde a primeira década do século, o café vinha ocupando áreas no Norte Velho de Wenceslau Braz e Jacarezinho, conduzido por fazendeiros, sem nenhuma diferença de São Paulo. Com a fundação de Londrina, em agosto de 1929, inicia-se a colonização que apressará o deslocamento do café das terras paulistas exauridas, de lavouras velhas e antieconômicas.
Na década de 30, o Paraná rejeita dois acordos de Estados que queriam a contenção dos plantios. Na primeira vez consegue autorização para plantar até 50 milhões de pés; na segunda, não aceita nenhum limite. Argumentava-se que no Norte Novo o café não era monocultura, porque entrava na diversificação de pequenas e médias propriedades, nas quais as famílias dos proprietários faziam parte da mão-de-obra, diminuindo os custos e permitindo lucro.
Surge o pequenoAcompanhamento do Departamento Nacional do Café (DNC) publicado em 1941 demonstra que Londrina havia assumido o primeiro lugar em área de café no Paraná - 20.995 hectares (19%), com 11.987.714 cafeeiros (19,5% do total estadual), superando municípios mais antigos (Cambará, Jacarezinho e Cornélio Procópio).
Detentor do maior número de propriedades cafeeiras - 1.572 do total de 5.274 no Estado -, Londrina somava investimentos de 31.019 contos de réis no setor, do total de 261.822 contos em todo o Estado. De 100.350 trabalhadores na cafeicultura paranaense, 21.819 estavam em Londrina.
Segundo a Agência Municipal de Estatística, já em 1940 Londrina tinha 12,5 milhões de cafeeiros, dos quais 4 milhões produzindo e a exportação naquele ano chegou a 60.055 sacos. -
Era o prenúncio do novo Eldorado. A Cia. de Terras Norte do Paraná anunciava, desde 1934, a melhor terra roxa: ‘‘O café no Norte do Paraná tem produzido 300 arrobas por 1.000 pés, o que não se obtém em nenhuma outra zona do Brasil, e a média tem sido de 150 arrobas por 1.000 pés’’. O pioneiro Nelson Maculan, que chegou em 1938, tomou conhecimento de análises feitas em Londres de amostras recolhidas nos Vales do Tibagi e Ivaí: ‘‘o solo assemelhava-se a adubo’’.
Dados oficiais apontam que em 1939/40 a participação do Paraná na produção nacional chegou a 5,78%. Terminada a 2ª Guerra Mundial, o mercado internacional reage e a cafeicultura paranaense inicia a sua maior expansão, até a safra 1961/62. Então com 1,6 milhão de hectares e produtividade aproximada de 13 sacas beneficiadas/hectare, o Paraná estabelece o recorde de 21,4 milhões de sacas, cerca de 54% da produção brasileira.
SuperproduçãoO plantio no Paraná ainda avançou, atingindo a 1.836.000 hectares em 1963. Evidenciou-se, novamente, a superprodução. Sucessivos programas de erradicação/diversificação, geadas, ferrugem, nematóides e legislação trabalhista complicada, entre outros fatores, determinam a derrocada do café paranaense.
O pesquisador do Iapar Tumoru Sera observou que a produtividade média paranaense nos seis anos que antecederam a geada de 1975 foi de 685 quilos beneficiados/hectare (mais de 11 sacas), portanto ainda competitiva nacionalmente. Mas nos oito anos seguintes, de 1976 a 1983, baixou a 364 quilos (menos de sete sacas). Em 1983, com menos de 500 mil hectares, a produtividade voltou a crescer, situando-se entre 10 e 13 sacas/hectare, porém a erradicação de lavouras prosseguiu e, dez anos depois, o Estado tinha apenas 290 mil hectares.

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