Excesso destrói o solo
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 1999
Da Redação 
De acordo com a Food and Agriculture Organization (FAO), órgão da ONU para a agricultura e alimentação, milhões de hectares poderiam ser protegido ou salvos da degradação e erosão, se os produtores empregassem técnicas conservacionistas como o plantio direto.
Em muitos países em desenvolvimento, o método convencional de plantio é a principal causa da desertificação e perda de solo. A consequente erosão, agravada pela ação da água e do vento, é responsável por cerca de 40% da degradação do solo em todo o mundo.
Água abaixoA erosão provocada pelo cultivo danifica o solo na maioria dos países em desenvolvimento, nos quais a perda pode ultrapassar 150 toneladas por hectare ao ano, diz José Benites, técnico do Serviço de Administração e Conservação de Recursos do Solo da FAO. A degradação da terra também ocorre em países desenvolvidos, por causa do excesso de mecanização no cultivo, acrescenta Benites.
A FAO adverte que partes da América Latina e da África podem se transformar em areia, se os agricultores não mudarem suas práticas de cultivo. Toda vez que um produtor revolve a terra para controlar as ervas daninhas, ele a torna mais vulnerável à erosão e compromete sua estrutura. Além disso, o cultivo tradicional com tratores e arados provoca a compactação do solo e degradação biológica. Mesmo os sistemas com tração animal, ainda que em menor extensão, podem causar erosão.
ProteçãoBenites explica que em países tropicais a terra não precisa ser arada. O método mais indicado é o plantio direto, que deixa sobre a superfície uma camada protetora de folhas e talos oriundos da cultura anterior. Essa cobertura protege a superfície do solo do calor, vento e chuva; reduz a variação térmica e a perda de umidade causada pela evaporação. Com menor movimentação do solo, diminuem também os gastos com combustíveis e mão-de-obra, lembra.
Em muitos países, incluindo o Brasil, solos antes férteis foram erodidos por sua excessiva movimentação. Solos compactados, por sua vez, dificultam a infiltração da água e são levados pela água na estação chuvosa. A preparação adequada da terra, junto com a rotação de culturas, pode prevenir esta situação.
Hoje o conceito de cultivo conservacionista é utilizado principalmente nas Américas, onde mais de 14 milhões de hectares são trabalhados dessa forma. Na Argentina, o plantio direto permite redução de US$27 por acre (4.046,84 metros quadrados) no custo de produção da soja; nos Estados Unidos, a redução é de US$14 e no Brasil é de US$11, segundo a Assessoria de Comunicação da Monsanto.
O plantio direto na palha surgiu no Brasil no início da década de 70. Estimativas da Federação de Plantio Direto mostram que a área ocupada pelo sistema, apenas no período de verão, atinge cerca de 8,5 milhões de hectares. Desse número, 3,5 milhões/ha estão na região dos Cerrados.


