Lavouras de soja dos municípios do Norte do Paraná e do Vale do
Ivaí, no Centro do Estado, estão sendo atingidas por morte prematura de
plântulas (plantas de soja recém-germinadas), problema que causou
prejuízos econômicos nas últimas safras de soja no Paraná e em São
Paulo.
A Embrapa vem avaliando a morte de plântulas que pode ser atribuída ao manejo inadequado do solo, associado ao seu encharcamento por chuvas excessivas. Os estudos da Embrapa resultaram na publicação ''Morte de plântulas de soja provocada pelo excesso de umidade e falta de aeração do solo'', que acaba de ser disponibilizada no site da Embrapa Soja -www.cnpso.embrapa.br - no menu publicações.
De acordo o pesquisador Eleno Torres, autor da publicação, nas safras passadas, o primeiro sintoma observado nas plântulas foi lesão na raiz, seguida por infecção causada por fungos de solo. O dano prejudicou o desenvolvimento da planta. Nos casos mais severos a lesão promoveu a morte das plântulas obrigando muitos agricultores a semearem novamente suas
lavouras.
O problema, em 70% dos casos, foi registrado em terras roxas, pela ocorrência de chuvas intensas e contínuas que encharcaram o solo. Nas regiões de latossolos - terras bem desenvolvidas, profundas e de boa drenagem - foram registrados apenas 30% das ocorrências de morte de plântulas. De acordo com Torres, nesses solos os danos foram relacionados à compactação causada pelo manejo incorreto. Ele informa que, além das características do solo, o uso de grade leve para manejar os restos de cultivo na semeadura provoca intensa erosão. ''A erosão reduz a matéria orgânica deixando esses solos mais suscetíveis à compactação e aos problemas de infiltração, drenagem
e aeração''.
Para diminuir os riscos do problema, o pesquisador orienta a adoção de algumas medidas que evitem a compactação do solo, como a utilização de
rotação de culturas. Outra indicação é para evitar o manejo dos
restos de cultivo ou a incorporação das sementes com grade niveladora. ''Essas práticas aumentam a compactação e também a população de
fungos no solo, devido à incorporação dos resíduos culturais'', explica.
Nas áreas de plantio direto, segundo Torres, deve-se evitar o
revolvimento do solo com arado, pois, apesar de melhorar a drenagem, reduz a matéria orgânica e promove a erosão. Para os solos que exijam descompactação mecânica, a orientação é para o uso de escarificadores. ''Os escarificadores permitem o rompimento da camada compactada sem afetar o nivelamento do terreno, e ainda preservando boa parte dos resíduos culturais da superfície do solo''.

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