Exame no Pará evita contaminação
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sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Febre Aftosa
A manipulação do vírus causador da febre aftosa só pode ser realizada em locais onde a doença ainda não foi erradicada. Por essa razão, as coletas dos 19 animais suspeitos de estarem infectados foram enviadas para o laboratório oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em Belém, no Pará. ''A medida é uma forma de evitar uma eventual contaminação de Estados livres da doença, como é o caso do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul'', explica Silmar Burer, secretário executivo do Conselho Estadual de Sanidade Animal (Conesa).
Para os exames, são coletadas amostras de lesões (como aftas) e do epitélio das regiões bucal (da língua, por exemplo) e podal (entre as unhas). Também é coletada uma amostra de sangue, para verificar a quantidade de anticorpos.
Quando os materias coletados não fornecem informação suficiente para um resultado conclusivo, o Ministério da Agricultura vale-se de um outro tipo de exame, o Probang.
Segundo Burer, recorrer ao Probang é um procedimento normal, principalmente quando os resultados do primeiro teste não são conclusivos. ''Para poder liberar uma propriedade, deve-se ter absoluta certeza de que os animais não estão infectados. Este exame, por coletar material esofágico do gado, é mais exato e dá essa garantia.'', justifica.
Como as propriedades com suspeita de foco da doença (40 no total) estão isoladas, Burer não vê problemas na demora na obtenção dos resultados. ''Dada a relevância da situação, eu sempre considerei que a divulgação dos resultados demoraria mais do que a previsão inicial.''
Os sintomas que o gado apresenta para levantar suspeitas são salivação excessiva, temperatura elevada, lesões na região bucal (lábios, boca, gengiva), nas mamas ou entre as unhas. Vacas podem abortar e diminuir a produção leiteira. ''Os casos suspeitos no Paraná apresentaram sintomas extremamente discretos, que foram identificados apenas porque realizamos um trabalho minuncioso com esses animais'', garante.
Weber Okano, docente do curso de Medicina Veterinária da Universidade Norte do Paraná (Unopar), campus de Arapongas, informa que o animal infectado só começa a apresentar sintomas da doença após 15 dias. Já no ser humano, o vírus pode permanecer até três dias nas vias aéras. Porém, é extremamente raro alguém desenvolver os sintomas da doença.
As roupas, automóveis e outros objetos que entrarem em contato com o vírus também podem transportá-lo. Por isso, o acesso às propriedades suspeitas de contaminação é restrito. Cuidar da higiene pessoal e desinfectar objetos não basta. ''É preciso que a pessoa que entrou em contato com o vírus permaneça três dias sem entrar em outra propriedade'', recomenda.
Na segunda-feira, a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo permitiu a entrada da carne desossada maturada e de leite e derivados provenientes do Paraná. Apenas a carne crua ainda tem restrições.
Segundo o professor, dois fatores principais inativam o causador da febre aftosa: alta temperatura e pH ácido (abaixo de 5). É por isso que a pasteurização do leite e a maturação da carne são processos que eliminam o risco de contaminação o que possibilitou a liberação desses produtos. A retirada dos ossos ocorre porque a medula óssea, por onde circula bastante sangue, não tem seu pH reduzido com a maturação, e consequentemente não fica livre do vírus. Apenas congelar ou salgar a carne também não o elimina.


