Evite perda de boas sementes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de junho de 1998
Cristina Côrtes 
Além de menor produtividade na colheita, o volume de sementes de soja a ser ofertado para a próxima safra pode ser reduzido ainda mais se o produtor de sementes não utilizar a metodologia adequada para avaliação da qualidade dos grãos na hora de fazer o teste nos laboratórios.
Considerando o volume de sementes produzido no Brasil no ano passado (aproximadamente 1 milhão de toneladas), e se estimando um possível descarte de 25%, com a realização do teste padrão, o prejuízo para os produtores de sementes poderia chegar a 250 mil toneladas, o que representa R$75 milhões, considerando o preço da saca de semente em torno de R$30,00. No Paraná a produção caiu 10% em relação à do ano passado.
O alerta sobre o possível descarte de sementes de qualidade foi feito pelos pesquisadores da Embrapa Soja, José de Barros França Neto, especialista em sementes e Ademir Assis Henning, fitopatologista. Os lotes de sementes para análise estão começando a chegar aos laboratórios, para obter o certificado de sementes fiscalizadas. Os pesquisadores recomendam que os produtores de sementes optem pelo teste desenvolvido pela Embrapa, o Diacom - Diagnóstico Completo da Qualidade da Semente de Soja -, para evitar que sementes de qualidade sejam descartadas.
Umidade x fungosA umidade provocada pelas constantes chuvas no verão deste ano prejudicou a produtividade nos campos de sementes de soja em todo o Brasil, e comprometeu a qualidade do que foi colhido com uma maior incidência dos fungos Promopsis sp. e Fusarium sp..
Normalmente, o teste feito pelos laboratórios é o padrão de germinação, que favorece o descarte de sementes de boa qualidade. As condições de temperatura e umidade do teste padrão são ideais para o desenvolvimento de fungos, que acabam atingindo as partes vitais da semente, explica Henning.
O resultado é um número elevado de sementes mortas e de plântulas infectadas. Com o baixo índice de germinação apontado pelo teste, o lote é descartado. E é justamente aí que está a falha, Os fungos inviabilizam o teste de germinação, mas se as mesmas sementes descartadas forem levadas a campo, podem germinar normalmente, completa o pesquisador.
O pesquisador França Neto recomenda também que, se o lote for reaproveitado, é necessário estar atento para o tratamento de sementes na hora do plantio. Cabe ao produtor de sementes avisar o agricultor dos lotes de sementes que sofreram com os fungos. De maneira geral, o tratamento de sementes é válido para todos, porque evita também outros problemas, além dos fungos citados, reforça França.
PrejuízosSe o produtor não optar pelo teste Diacom, poderá perder até 50% do valor de sua produção, uma vez que as sementes acabam vendidas como grãos. Além disso diminui a oferta de sementes no mercado. Considerando as condições climáticas da safra 97/98, o volume de descarte de sementes de boa qualidade pode ser ainda maior. Como choveu em todos os Estados na época da colheita, o índice de infecção por Fusarium e Phomopsis com certeza será maior e boas sementes podem ser jogadas fora, alerta Henning.
Ainda é muito cedo para conhecer a intenção de plantio para a próxima safra, mas o pesquisador da área de Economia Rural da Embrapa, Antônio Carlos Roessing, comenta que pelo senso a área deve permanecer a mesma, ou seja, deve ser necessário o mesmo volume de sementes do ano passado.


