O plantio cada vez mais cedo das safras de verão e inverno tem contribuído para a degradação do sistema de plantio direto. Julio Franchini, pesquisador da Embrapa Soja, explica que em algumas regiões paranaenses, a semeadura do milho segundo ciclo tem ocorrido já nos meses de janeiro e fevereiro.
Nesse período, conta o pesquisador, o alto índice de precipitação deixa o solo muito úmido, condição que favorece a compactação do solo. O solo não só é compactado com as plantadeiras de milho, mas também com as colheitadeiras de soja que acabaram de sair do campo. Esse problema, observa Franchini, tem ocorrido muito no Oeste paranaense, onde os agricultores antecipam já há alguns anos a semeadura da primeira e segunda safras.
Franchini completa que reverter esse quadro de antecipação de semeadura é um pouco difícil, mas frisa que há soluções que os produtores podem tomar que ajudam a reduzir essa compactação do solo. O tráfego controlado é uma das alternativas que o produtor possui para diminuir a compactação. O especialista da Embrapa explica que as novas ferramentas da agricultura de precisão permitem que o produtor faça o mapeamento de pontos específicos em que os maquinários podem passar.
"O produtor 'sacrifica' uma determinada área em detrimento de outra", enfatiza. Ele completa que um solo compactado está sujeito à erosão. Na primeira chuva, diz o pesquisador, a enxurrada leva todos os nutrientes da superfície do solo. Além do planejamento de tráfego, Franchini indica a adoção da rotação de cultura, principalmente a inserção de braquiárias na semeadura do segundo ciclo do milho.
Franchini destaca que a inserção da braquiária na segunda safra de milho eleva em até 10% os índices de produtividade da soja na safra seguinte. O especialista da Embrapa lembra que esse acréscimo se mantém por mais ou menos três ciclos.

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