Europeu quer superar limites
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quarta-feira, 02 de abril de 2003
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
De olho no mercado de animais precoces os criadores de bovinos da raça limousin apostam na produção de animais para o cruzamento. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Limousin (ABCL), com sede em Londrina, Luiz Meneghel Neto, o objetivo dos pecuaristas da raça é produzir touros reprodutores para o cruzamento com fêmeas de sangue indiano, como o nelore. ''No cruzamento é possível obter animais com 10% a mais de ganho de peso,'' garante Meneghel.
O trabalho dos criadores, de acordo com Meneghel, é para conseguir reprodutores e matrizes que possam transmitir suas boas características aos filhos. No caso do limousin, os animais cruzados se apresentam precoces no acabamento de carcaça, com pouco mais de dois anos a pasto, prontos para o abate e bem terminados. Mas ele alerta que além de todo o processo genético é preciso investir em manejo, aumentando o desfrute da propriedade e os índices de produção.
Produzir animais para o cruzamento também é objetivo dos criadores da raça marchigiana, outra em destaque na feira de Londrina. De acordo com o vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores, Fábio Pedriali, os criadores buscam na seleção dos animais a fertilidade, ''o animal tem que nascer''; a rusticidade, ''ele tem que sobreviver''; e a precocidade, que proporciona um bom acabamento do animal, no cruzamento com o sangue zebuíno, por volta dos dois anos a campo.
''Nosso trabalho é produzir genética para ser usada no cruzamento industrial com raças zebuínas,'' enfatiza Pedriali. Segundo ele, essa seleção tem resultado num animal bem acabado, ''com quatro mm de gordura em volta da carne que garante sabor e maciez.''
As raças italianas, de pêlo branco e pele preta, como a marchigiana, de acordo com Pedriali, trazem a vantagem da resistência ao calor e podem, garante, ser criadas a pasto. ''O touro tem boa performance a campo, com índice de resistência ao calor bem próximo do zebuíno, o que é importante num país tropical como o Brasil.'' Segundo ele, os animais controlados pela associação, a campo, têm conseguido índice de cobertura de 88%.
Outro destaque em participação na exposição este ano, o charolês, terá o dobro de participação em relação a exposição de 2002. O presidente do Núcleo dos Criadores de Charolês do Norte do Paraná, Fernando José Mendes, afirma que o crescimento se deve ao interesse pela raça, fruto do trabalho de melhoramento genético e adoção de tecnologia nos rebanhos melhoradores.
A seleção genética também é direcionada a produzir animais para o cruzamento industrial. Os animais, garante Mendes, cruzados com zebuínos, conseguem peso de abate por volta dos 19 a 20 meses a pasto. Há cinco anos a idade de abate era de 30 meses. O Núcleo, de acordo com o criador, tem um intenso trabalho em transferência de embriões, fertilização in vitro e outras técnicas, para garantir o aprimoramento da raça.
Nos últimos quatro anos os criadores da raça angus passaram de 50 animais expostos em Londrina para 217 estes ano, prova de que a praça de Londrina é importante para o crescimento da raça, afirma o presidente da associação brasileira, Reynaldo Titoff Salvador.
''O angus é complementar no cruzamento industrial nos aspectos de fertilidade, qualidade de carcaça e precocidade,'' garante.
De acordo com Salvador a raça está em expansão em todo o País, com demanda por reprodutores e matrizes para serem usados no rebanho azebuado que prima pela rusticidade. O animal cruzado angus, garante, aos 18 meses pesa 15 arrobas, bem terminadas, em condições de brachiária.


