Europa pode importar carne do Sul
Produtores do RS e SC poderão exportar carne de suínos este ano. Paraná ainda ficaria no mercado interno
Cláudia Barberato

Paraná precisa do reconhecimento de área livre de aftosa e peste suína, para exportarSuinocultores do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão na expectativa do resultado da reunião no próximo dia 25, na França, para homologação dos dois Estados como áreas livres de aftosa. Essa homologação será um avanço para o setor, que poderá exportar a carne suína para países europeus. Deixará também um espaço no mercado interno para outros Estados produtores, como o Paraná, aumentarem as vendas e, consequemente, os lucros da atividade.
De acordo com o superintendente técnico da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS, sediada em Estrela, RS), Valmir Costa da Rosa, já foram feitos contatos entre empresas brasileiras daqueles Estados e indústrias da Rússia. Espera-se somente a liberação e homologação pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), para concretizar o negócio. Para a Rússia a previsão é exportar 40 mil toneladas em 98. Também a Itália tem interesse em comprar a carne suíno brasileira.
Espaço para todosO dirigente da ABCS acha que a abertura das exportações deverá ser positiva para toda a cadeia produtiva da suinocultura. ‘‘O produtor sairá ganhando mais, porque poderá usar a parte ociosa que tem hoje na sua granja, para atender a nova demanda. As indústrias também poderão aumentar sua capacidade produtiva. E, para os produtores que ainda não podem exportar, restará um espaço no mercado interno, para comercialização de seu produto’’.

ExportaçãoSato, da Assuar, afirma que exportações poderão abrir mais o mercado internoOs produtores do Paraná ainda não podem exportar. O Estado não foi homologado como área livre da aftosa, doença que atinge bovinos e suínos, e que causa restrições no mercado externo, principalmente o europeu. Precisa também ser homologado como área livre da peste suína.
Aumento de consumo Mesmo com as exportações à vista a Associação Brasileira, segundo Rosa, está se voltando também para o mercado interno, com objetivo de aumentar o consumo da carne de porco. ‘‘Estamos tentando desmistificar a questão do colesterol na carne suína, comprovando através de estudos que determinados cortes de outras carnes - até do frango, por exemplo - têm mais colesterol. Não se trata de brigar com o produtor de frango, mas defender a qualidade da carne suína. É importante que o consumidor saiba o que cada carne tem de bom’’.
O consumo per capita/ano da carne suína no Brasil ainda é muito baixo em relação a outros países. No Brasil o consumo é de 10 kg/per capita/ano. A média mundial é de 40 kg/per capita/ano. Na Holanda, o consumo é de 60 a 70 kg/per capita/ano. ‘‘Tudo é questão de cultura, tradição e costumes. Por isso, a associação tem de divulgado análises da carne suína, feitas por universidades e instituições de pesquisa, que comprovam a qualidade e as vantagens de consumo’’.

Produtores querem mudar a imagem da carne suína e trabalham para incentivar aumento do consumoRosa acredita que ‘‘um aumento de consumo entre um a dois quilos de carne/per capita/ano significaria muito para o setor e representaria um volume de demanda bem maior do que as exportações, além de evitar a falência de muitos produtores que hoje estão sem margem de lucro para trabalhar e se manter na atividade.’’
Situação difícilDe acordo com o vice-presidente da Associação dos Suinocultores de Arapongas e Região (Assuar), José Nobuo Sato, a situação do suinocultor é de dificuldade. O custo de produção e o preço que o produtor recebe em muitos casos empatam. Em outros, o produtor chega a ‘‘pagar para produzir’’. Isto acontece em épocas de pouco consumo e quando aumenta o preço do milho, que representa 75% dos custos de produção. Há dois meses uma saca de 60 quilos era comprada a R$7,20/7,50. No meio deseta semana estava a R$8,60.
Sato calcula que a produção de um quilo de suíno vivo custa, à vista, R$0,75/0,80. Mas o produtor vende com prazo de 15 dias para pagamento, e recebe R$0,75/0,80.
DemandaO que regula a lucratividade da suinocultura, segundo Sato, são a oferta e a procura. Quando há mais oferta do que procura, a tendência é o preço cair para o produtor. Mas, no varejo não há redução da margem de lucro e, consequentemente, nos preços para o consumidor.
No inverno a expectativa dos produtores é de um aumento do consumo, e melhora do preço. O mesmo pode acontecer no final do ano, devido às festas de Natal e reveillon. Também a entrada da safrinha do milho no final de junho deverá colaborar, reduzindo o preço do grão usado na alimentação dos animais e aumentando a margem do produtor.

Em função da crise no setor plantéis foram reduzidos pela metade, deixando barracões vaziosNeste ano diminuiu o plantio da safra normal de milho, e o produtor de suínos, que depende do grão para alimentar os animais, acabou pagando mais caro. Agora ele aguarda a entrada da safrinha no mercado, para regular o preço. Segundo Sato, mesmo com áreas menores de safrinha, na região de Arapongas, e outras lavouras em boas condições na região de Cascavel, daqui para frente, ‘‘se não fizer frio intenso que prejudique a produtividade, os preços deverão melhorar para o suinocultor.’’
Além disso, Sato espera, como os demais suinocultores, que o Paraná, que não registra casos de aftosa há três anos, consiga ser considerasdo área livre da doença e assim possa exportar carne de porco para a Europa.
Pequena margemHá espaço, segundo Sato, para que o preço do suíno para o produtor chegue a R$1,00 o quilo. O suinocultor, diz ele, ‘‘não espera e não quer vender a um preço fora da realidade, até porque se subir muito o consumidor procura uma alternativa. É preciso apenas estabilidade, para poder trabalhar.’’ Ele acredita que uma margem de R$0,20 no quilo do suíno seria suficiente.

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