Os Estados Unidos oficializaram, em setembro, a patente do método de seleção para o gene Rpp5, que confere resistência à ferrugem asiática da soja. O método facilita o desenvolvimento de variedades do grão resistentes à doença, que atualmente é um dos principais problemas da sojicultora brasileira. A descoberta do gene foi publicada em 2008 na revista científica Theoretical na Applied Genetics e então o mercado passou a oferecer cultivares com a tecnologia Inox, que permite reduzir a aplicação de fungicidas, diminuindo os custos de produção.
Especialistas afirmam que a ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é responsável por perdas de até 80% de produtividade nas lavouras da cultura. O número é agravado também pelo cultivo de soja safrinha, que sofre mais com a incidência da doença.
O gestor de Pesquisa da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), Fabiano Siqueri, explica que o gene de resistência à ferrugem presente nas cultivares Inox permite à planta maiores condições de conviver com a doença no campo. "Caso os controles cultural e químico escapem das mãos, a planta Inox estará protegida pelo gene. E é exatamente esta proteção extra que proporciona maior tranquilidade e segurança ao produtor, ganho de produtividade, redução de custos, garantia de produção e facilidade no manejo de fatores restritivos à lavoura", coloca.
Na estimativa de custos de produção para a safra 2014/15 em Mato Grosso, elaborada pelo Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a despesa média com fungicida, sem considerar a operação de máquinas e mão de obra, é de R$ 153,43 por hectare (ha), para quatro aplicações, o equivalente a 24% do valor gasto com defensivos. Caso a lavoura seja de cultivares com o gene de resistência à ferrugem, o agricultor poderá reduzir ao menos uma aplicação e terá R$ 38,35 de economia com o produto. Numa área de 800 ha de soja por exemplo, a redução é de quase R$ 31 mil.
Para José Tadashi Yorinori, fitopatologista e pesquisador de soja há mais de 40 anos, o agricultor precisa considerar melhor as orientações de manejo e plantio para que haja maior efetividade no controle das doenças. "O grande fator é ambiental, pois há um grande exagero na aplicação de defensivos. Os produtores precisam deixar de fazer a soja safrinha e considerar o plantio do milho, que tem seu lado positivo porque além de colocar em risco os genes existentes, há risco também de colocar em perigo a defesa natural das plantas pelo excesso de defensivos", frisa.
Quando o manejo correto da lavoura é realizado e as cultivares que apresentam diferenciais tecnológicos são escolhidas, os resultados podem ser melhores a cada safra. Um exemplo vem de Marilândia do Sul. O produtor Henrique Kaneko relata que utilizou a cultivar TMG 7262 RR Inox, com resistência à ferrugem, pela primeira vez na safra 2012/13 e ficou satisfeito com o resultado. "A planta teve bom engalhamento e teto produtivo muito bom, apesar das condições climáticas com a presença do veranico no final da safra", explica.

Método
A patente do método de seleção para o gene Rpp5 foi concedida à Tropical Melhoramento & Genética (TMG), empresa de capital nacional dedicada à criação e ao desenvolvimento de novas cultivares de soja e algodão. O método utiliza do mapeamento genético para saber a sequência do DNA da planta associada ao gene de resistência. Conforme Alexandre Garcia, gestor de Pesquisa da TMG, o processo é chamado de seleção assistida por marcadores moleculares.
O pedido da patente foi solicitado em 2007 e só agora foi concedido pelo escritório de patentes norte-americano United States Patent and Trademark Office (USPTO).

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