Produtores da Vila das Orquídeas, uma vila rural do Distrito de Guaravera (zona sul de Londrina), se preparam para adotar novas técnicas de cultivo de hortaliças em estufas. O projeto - elaborado pelo técnico agrícola da Emater, Charles F. M. Peixoto, especialista em hortifruti e pós-colheita -, visa melhorar a produtividade e qualidade dos produtos com estufas menores.
O tamanho das estufas, atualmente em uso, que varia de 1.000 a 3.000 m2, é inadequado para a realidade das vilas rurais. A readequação é o desafio para o técnico.
O projeto prevê a substituição desses espaços de cultivo por estufas bem menores, de 300 m2. ''O que se procura hoje é alta produtividade e qualidade. Para isso o manuseio deve ser feito muito próximo da planta'', reforça.
Participam do trabalho 13 dos 20 horticultores da Vila das Orquídeas. A primeira estufa, que funcionará como espaço de treinamento, acaba de ser montada com recursos do Programa Paraná 12 Meses. A propriedade que abriga a estufa foi determinada através de sorteio.
Inicialmente, a experiência será com três variedades de tomates, cujas mudas devem ser plantadas até o início da próxima semana, informa o técnico. O produtor que recebeu a estufa, Célio Mondek, 31 anos, irá conduzir os canteiros mas com o acompanhamento direto dos demais ''alunos'' do novo sistema. Além das palestras técnicas, Charles explica que os produtores estarão avaliando o desenvolvimento das plantas a cada quinze dias. As ''aulas'' começam logo após o término do plantio dos tomateiro.
Para Charles, nas condições em que estão instaladas, as atuais estufas dificultam o trabalho dos produtores na manutenção dos canteiros. Além disso, o espaço sofre com a variação de microclimas, em função de diferenças no sombreamento e umidade que favorecem o aparecimento de pragas e doenças.
Ainda segundo o técnico, estufas grandes acabam tomando quase toda área de cultivo das Vilas Rurais (5.000m2), não sobrando espaço para áreas de pousio, necessárias no rodízio e recuperação dos canteiros. Outra prática cultural comum entre os horticultores da vila e que é desaprovada pelo técnico, e o uso quase que exclusiva da monocultura: ''Aqui só se planta pepino''.
O projeto visa também o uso de práticas ecologicamente corretas, como a redução de agrotóxicos. Por isso, o grupo de estudo recebe o apoio de duas empresas de insumos agrícolas. Charles informa que os produtores serão instruídos para o monitoramento constante de pragas e doenças. ''Como deveria ocorrer em qualquer cultura, só estaremos aplicando inseticidas quando houver nível elevado de infestação e dano econômico''.
O modelo da nova estufa - em arcos de PVC -, informa o técnico, permitiu a instalação de telas de proteção nas laterais da estufa. Com isso o ambiente fica mais protegido contra o ataque de pragas vindas de outras culturas. As telas permitem ainda o desenvolvimento dos inimigos naturais que serão colocados nos canteiros.
O trabalho na vila rural prevê ainda o uso da hidrofertilização dos tomateiros. Charles explica que o método é parecido com o que se utiliza na hidroponia. ''O adubo será aplicado durante a irrigação com formulação e dosagens adequadas. Ao contrário do adubo granulado, a planta aproveita praticamente tudo'', garante.
A Emater, afirma Charles, já está em contato com o Banco do Brasil para que os demais produtores da vila rural envolvidos no projeto obtenham recursos para a troca das estufas. Os recursos pretendidos são do Pronaf Investimento.
Como dado comparativo da experiência, as mesmas espécies estarão sendo cultivadas numa das estufas já instaladas na vila, seguindo o manejo usual dos produtores. O Charles estima que, em dois anos, os produtores estarão dominando o novo sistema de cultivo.

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