Estufas garantem produção de melões
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sábado, 19 de novembro de 2005
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A produção de melão em estufas está garantindo renda à propriedade de Shunji Sato. Na atividade há 10 anos, ele optou pelo cultivo em estrutura coberta, por causa da sensibilidade da fruta. ''Na nossa região, a produção em campo aberto favorece o aparecimento de pragas e doenças que inviabilizam o cultivo dos melões'', justifica. Outra grande vantagem das estufas, segundo o filho Flávio Sato, que o ajuda com a cultura, é a possibilidade de programar a produção, garantindo a oferta dos melões durante o ano todo.
A variedade escolhida foi o net melon, cujo teor de açúcar está acima de 14 graus, superando as demais produzidas no País. A produção da família Sato fica na Gleba Palhano, zona Sul de Londrina, numa chácara de 3 hectares. Atualmente eles possuem 9 estufas, com uma área aproximada de 6 mil metros quadrados para uma produção de 30 mil caixas/ano.
O cultivo começa com a produção das mudas, cujas sementes vêm do Japão com exclusividade para a Cooperativa Sul Brasil, de Assaí (36 km a leste de Londrina), responsável pela assistência técnica e comercialização dos melões. O sistema de cultivo é semelhante ao do pepino. As mudas são transplantadas ainda pequenas e, conforme vão se desenvolvendo são fixadas em espaldeiras ou cercas, através de fitilhos.
Para garantir frutos de bom tamanho, qualidade e doçura, a produção é de apenas um melão por pé. ''Quando começa a floração deixamos formar até quatro frutinhas, depois escolhemos a melhor e eliminamos as demais'', explica Flávio. A regra básica orienta para a escolha do melão localizado entre a 10e a 12 folha verdadeira, completa o engenheiro agrônomo Megumi Uchigoshi, gerente da cooperativa.
A planta pode sofrer com algumas doenças fúngicas nas folhas, como o míldio e o oídio. Por isso são feitas aplicações semanais de fungicidas. Depois, próximo à colheita, os frutos podem ser atacados pela broca, que podem exigir o uso de algum inseticida. ''O cultivo protegido permite plantas mais saudáveis e, assim, uma cultura pouco exigente'', informa Uchigoshi.
O maior cuidado é com a adubação do solo onde priorizam o uso de compostos orgânicos à base de bagaço de cana-de-açúcar e palha de café. A adubação é complementada pelo bocachi, um composto orgânico com altos teores nutricionais, tendo como objetivo a saúde do solo. Eles utilizam ainda uma pequena quantidade de adubo químico: ''apenas para garantir a presença de alguns minerais'', justifica o agrônomo.
Pela produção intensiva e o tamanho da propriedade, Shunji Sato, não possui áreas que permitam, por exemplo, espaços de pousio ou a rotação de culturas. Com isso, tem de enfrentar o ataque do nematóide que afeta a raiz das plantas e já causou uma redução na produção anual da propriedade. ''O uso dos compostos orgânicos está permitindo o controle da praga'', diz Shunji Sato. O consumo anual de bagaço de cana na propriedade varia entre 150 a 200 toneladas (t)/ano.
Shunji Sato não revela números mas estima que o custo de produção seja de, aproximadamente, R$ 1,00/fruto. A rentabilidade do net melon, segundo ele, permite ''viver bem''. A fruta é praticamente a única atividade agrícola da chácara.


