Quando se fala em transgenia, o assunto mais recente é a polêmica criada por algumas entidades sobre a segurança de sua utilização. Na verdade, os transgênicos são apenas uma das infinitas aplicações da biotecnologia. Segundo a pesquisadora Alda Lerayer, diretora do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), os conhecimentos que permitiram o desenvolvimento dessa ciência surgiram em meados do século 19, quando o monge austríaco Gregor Mendel lançou as bases da genética, explicando a transmissão de características de geração para geração. Antes dele, as pessoas, intuitivamente, utilizavam os princípios da biotecnologia no preparo de muitos alimentos, como pães, vinhos e cervejas.
  Alda informa que a biotecnologia moderna teve início nos anos 50 a partir do conhecimento da estrutura do DNA (ácido desoxirribonucléico), responsável por armazenar as características genéticas das espécies vivas. Na década de 70, começaram as experiências transgênicas, baseadas em estudos sobre a cura da pneumonia, e nas quais se descobriu a possibilidade de levar o DNA de uma bactéria para outra. Ainda segundo a diretora do CIB, a indústria farmacêutica foi a primeira responsável pela fabricação de produtos transgênicos e ainda é uma das que mais se utilizam da ciência. Na seqüência vieram os produtos de limpeza e da alimentação.
  O professor Ernesto Paterniani, que trabalha com a pesquisa do milho e também integra a equipe do CIB completa dizendo que os estudos comprovam que, dentro do código genético, cada gene tem uma função, única e universal. ‘‘O que a transgenia faz é capturar os genes responsáveis por características específicas e transferi-las para outra espécie, concedendo a ela essa função. Essa reponsabilidade não muda quando o gene passa a atuar em outra espécie’’, garante.
  Só para relebrar, no caso do milho Bt, é retirado do Bacillus thuringiensis, o gene responsável pela produção de uma proteína que destrói o sistema digestivo de lagartas que atacam a cultura. As plantas com tecnologia RR (Roundup Ready) trazem o gene da bacteria Agrobacterium tumefasiense, que garante resistência aos herbicidas com o glifosato como princípio ativo.
  A ciência realiza uma infinidade de testes para garantir a segurança desse produtos. O Brasil, segundo os pesquisadores, conta com uma das legislações mais severas do mundo. ‘‘Até o surgimento dos organismos geneticamente modificados nunca se ofereceu produtos tão seguros, tanto para o homem quanto para o meio ambiente’’, destaca Alda Lerayer. (C.G.)

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