Estratégia do associativismo
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de dezembro de 1998
IndicaçãoCalzavara: diretrizes para políticas rurais Josiane Schulz 
Unir-se em associações ou cooperativas, para processar e comercializar o produto agrícola. Essa é a alternativa apontada pelo projeto Agroindústria Associativa como Estratégia para o Desenvolvimento Rural, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para que pequenos agricultores possam viabilizar suas propriedades e agregar mais valor à renda familiar.
O trabalho foi desenvolvido por professores e alunos das áreas de Agronomia e Economia da UEL, que estudaram o funcionamento e o desempenho de quatro associações e duas cooperativas paranaenses. O projeto resultou em sugestões de aperfeiçoamento para cada agroindústria pesquisada. Mas o principal resultado foi a geração de informações que servem de diretrizes para políticas de desenvolvimento rural, afirma o coordenador do projeto, Oswaldo Calzavara.
UniãoO professor defende o associativismo como uma das melhores estratégias para a pequena propriedade. O produto vendido in natura ou mesmo processado, mas em escala mínima, tem menor lucratividade. Por isso uma boa fórmula é a união de produtores, para a formação de uma agroindústria. A industrialização agrega valores à matéria- prima, diz. Segundo Calzavara, o modelo proposto de indústria agroalimentar pode ocupar importantes espaços no mercado, sem competir com a grande indústria.
As pesquisas realizadas mostraram que dois pontos são fundamentais para que uma agroindústria associativa dê certo: o envolvimento dos agricultores associados e o respaldo governamental. Calzavara explica que as experiências analisadas mostraram que a indústria agroalimentar funciona perfeitamente se houver co-responsabilidade dos produtores. Eles precisam ter consciência de que a agroindústria é deles. É necessário criar a cultura de que o agricultor pode e deve ser também um empreendedor. Não basta o conhecimento técnico de como produzir, diz.
EnvolvimentoEle cita como exemplos a Associação Curupira de Jaboti, que produz e comercializa açúcar mascavo, e a Cooperativa de Produtores Vitória (Copavi), que funciona em um assentamento em Paranacity e produz leite, carne suína e de frango, e derivados de cana-de-açúcar, além de comercializar hortaliças, banana e mandioca in natura. Nessas duas associações formou-se uma cultura de associativismo e de envolvimento do produtor, que tem propiciado o bom desempenho das agroindústrias.
Nesses locais a melhoria da qualidade de vida dos agricultores é visível. Um ponto importante é o investimento em capacitação, promovido pelas associações. O caso de Paranacity é um grande exemplo de que a reforma agrária dá certo.
A criação de uma agroindústria associativa deve ser planejada, levando em consideração estudos de mercado, volume de matéria-prima e capacidade de produção. Muitas prefeituras querem industrializar às pressas e acabam se endividando. E como não fazem um trabalho educativo com os produtores, quando aparece uma pequena dificuldade eles acabam abandonando a associação, explica. Para consolidar um trabalho associativista é importante o apoio de órgãos públicos, como universidades e instituições de pesquisa e extensão rural, e a atuação direta dos governos federal, estadual e municipal.
FomentoCalzavara defende, inclusive, a criação de um órgão de fomento à agroindústria associativa no Estado. Poderia ser uma instituição similar à Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura de Módena, na Itália, que ajuda a organizar e a capitalizar os produtores, através da elaboração de estratégias de produção e comercialização. Os trabalhos desenvolvidos em Módena também foram pesquisados pelo projeto. Todas essas idéias estão detalhadas em um documento, que relata o trabalho desenvolvido pela UEL. Segundo Calzavara, esse documento já foi encaminhado para o governo do Estado, como sugestão para a elaboração de políticas de desenvolvimento rural para o Paraná.


